Boris defendeu o seu Brexit. Corbyn atacou com "racismo" do rival

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, e o opositor trabalhista, Jeremy Corbyn, tiveram o último debate televisivo, a menos de uma semana das eleições legislativas de 12 de dezembro. A privatização dos serviços de saúde foi também um tema forte.

No debate televisivo, transmitido pela BBC, o último antes das eleições da próxima quinta-feira, Boris Johnson defendeu que é o melhor preparado para concretizar o Brexit e terminar com o impasse no processo, prometendo ainda um grande reforço de polícias na rua, enquanto Jeremy Corbyn respondeu às acusações de anti-semitismo com a mesma arma: classificou o atual primeiro-ministro como islamofóbico por ser autor de declarações que definiu como racistas, insistindo também o líder trabalhista que os conservadores querem privatizar o sistema de saúde e outros serviços públicos. No final, parece ter havido um empate, com os apoiantes de ambos a ficarem satisfeitos.

Boris John procurou atacar o candidato do Labour com o anti-semitismo de que tem sido muito criticado. "Acho que a sua falta de vontade em se posicionar e defender o povo judeu no Partido Trabalhista é um fracasso de liderança", disse Johnson. Corbyn recordou logo artigos antigos de Boris em que se referiu aos islâmicos de forma que o trabalhista diz ser depreciativa: "Uma falha de liderança é quando você usa comentários racistas para descrever pessoas de diferentes países na nossa sociedade. Eu nunca farei isso."

O modelo de debate levou a que os dois começassem por fazer breves declarações e depois responderam a perguntas da audiência representativa de diferentes opiniões políticas e origens geográficas, refletindo ainda o resultado do referendo sobre o 'Brexit' de 2016, com uma pequena maioria de eurocéticos.

Enquanto Boris Johnson começou pelo dilema que o país enfrenta nas eleições de quinta-feira relativamente ao 'Brexit' e prometeu "pôr fim à paralisia", Corbyn evitou referir aquele tema para enfatizar a pobreza infantil e desigualdade social existente no país.

Várias perguntas centraram-se na questão da saída do Reino Unido da União Europeia, tendo Boris Johnson aproveitado para questionar o plano do Partido Trabalhista para negociar um novo acordo e submetê-lo a um novo referendo, com a opção para permanecer na UE.

"Não pode acabar com a incerteza no 'Brexit' se não souber qual é o acordo que deseja fazer", alegou o primeiro-ministro, acusando o adversário de um "fracasso da liderança" por querer manter-se neutro e não tomar uma posição.

Corbyn respondeu que o plano é uma solução que pretende proteger postos de trabalho e relações comerciais com a UE e ao mesmo tempo dar aos eleitores uma palavra final, em vez de ser decidido pelos deputados. "O país precisa de se unir e não pode continuar a negociar e a discutir consigo próprio", argumentou.

Sem momentos decisivos, destacaram-se intervenções de Boris Johnson, quando troçou de Corbyn e disse que vieram do "triângulo das Bermudas" os documentos que alegadamente mostram o interesse de empresas privadas norte-americanas no sistema público de saúde britânico, ou quando o líder trabalhista, a propósito do capitalismo, afirmou: "Fomos longe demais na economia de livre mercado e criámos muita desigualdade".

Sondagem deu ligeira vantagem a Boris

Uma sondagem instantânea divulgada pelo canal Sky News no final do debate indicou que 52% de uma amostra de espetadores concluiu que o líder conservador teve uma prestação ligeiramente melhor do que os 48% de Corbyn, resultado igual ao do primeiro debate televisivo, a 18 de novembro.

Porém, a mesma sondagem registou uma margem maior em termos de opinião sobre qual dos dois tem melhor perfil de primeiro-ministro, tendo 54% respondido Boris Johnson e 30% Jeremy Corbyn.

Ao longo de quatro semanas de campanha eleitoral, os estudos de opinião têm invariavelmente dado vantagem ao partido Conservador nas intenções de voto para as eleições, com uma vantagem em média de 10%, apontando para uma maioria absoluta dos 'tories'.

As eleições de 12 de dezembro foram antecipadas para tentar romper o impasse político relativo ao 'Brexit' em 2016, determinado num referendo em 2016, quando 52% dos eleitores britânicos votaram a favor da saída da UE.

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