Base militar dos EUA no Iraque atingida por morteiros

Quatro soldados iraquianos ficaram feridos e nenhum militar americano foi atingido. Chefe dos Guardas da Revolução disse no Parlamento iraniano que os mísseis lançados quarta-feira não visavam "matar soldados inimigos", mas mostrar que podem disparar para onde quiserem.[em atualização]

Uma base militar norte-americana no Iraque, ao norte de Bagdade, foi atingida este domingo por oito morteiros, disseram fontes militares iraquianas, citadas pela AFP, que não deram informações sobre a origem dos disparos. As primeiras notícias falavam em quatro rockets.

Quatro soldados iraquianos ficaram feridos, mas nenhum militar norte-americano foi atingido, segundo o Exército iraquiano. Quase todas as tropas americanas já deixaram a base, localizada em Balad, a 70 km de Bagdade, após a escalada de tensão entre os Estados Unidos e o Irão, avançam as mesmas fontes.

"Restam apenas quinze soldados americanos e um avião em Balad", assegurou à AFP uma fonte militar iraquiana.

Na quarta-feira passada, o Irão lançou mais de uma dúzia de mísseis contra duas bases iraquianas, em Ain al-Assad e Arbil, que albergam tropas norte-americanas, mas sem causar baixas nas tropas americanas.

Esta ação foi assumida pelos Guardas da Revolução iranianos como uma "operação de vingança" da morte do general Qassem Soleimani, comandante da força de elite Al-Quds, que morreu num ataque aéreo em Bagdade, capital do Iraque, a 3 de janeiro, ordenado pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A escalada de tensão entre o Irão e os Estados Unidos atingiu um nível sem precedentes desde a ação militar norte-americana.

Desde então, disparos de rocktes contra os interesses americanos - incluindo a embaixada na Zona Verde de Bagdade - têm acontecido quase diariamente. Enquanto isso, o Parlamento iraquiano votou pela saída das tropas estrangeiras do país.

"Queríamos mostrar que podemos atingir qualquer ponto escolhido por nós"

Apesar dos ataques com mísseis às bases com tropas americanas terem sido reivindicados como uma "operação de vingança", este domingo, o chefe dos Guardas da Revolução, Hossein Salami, compareceu perante o Parlamento iraniano para dar explicações e disse que os disparos não visavam "matar soldados inimigos".

"Queríamos mostrar que podemos atingir qualquer ponto escolhido por nós", declarou a respeito dos ataques realizados em resposta ao assassinato do general Qassem Soleimani.

"Os danos materiais (provocados pelos mísseis), foram apenas para dizer que somos superiores ao inimigo", acrescentou o general, que foi chamado para testemunhar no Parlamento um dia depois do regime iraniano ter reconhecido que abateu "por engano" um avião civil ucraniano na quarta, poucas horas depois dos disparos de mísseis contra as bases no Iraque.

Todas as 176 pessoas a bordo do Boeing 737 da Ukraine International Airlines que acabara de descolar de Teerão morreram - o general Amirali Hajizadeh, chefe do setor aeroespacial dos Guardas da Revolução, assumiu a responsabilidade pela tragédia

Apesar do mea culpa feito pelas mais altas figuras políticas, religiosas e militares do regime, a comunidade internacional reagiu a pedir justiça. E e os próprios iranianos saíram à rua - as manifestações que seriam de homenagem às vítimas acabaram por se transformar em protestos, por se sentirem enganados, já que Teerão recusou sempre ter abatido o avião, mesmo que os serviços secretos de alguns países garantissem ter provas disso.

Desde o final de outubro, dezenas de rockets foram disparados contra bases iraquianas utilizadas por soldados americanos - um americano morreu num desses ataques, a 27 de dezembro.

Os Estados Unidos acusaram fações armadas iraquianas pró-iranianas desses ataques. Dois dias depois, os EUA retaliaram com o bombardeamento de bases iraquianas na fronteira síria, matando 25 combatentes da Hashd al-Shaabi, uma coligação paramilitar pró-iraniana.

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