Ataque de San Bernadino é "nova fase" de atos terroristas

O presidente americano falou em direto da Casa Branca e pediu a colaboração do Congresso para aprovar medidas mais restritivas na compra de armas.

"Vamos conseguir vencer este desafio, porque estamos do lado certo da História", declarou o presidente Barack Obama esta noite, falando na Sala Oval da Casa Branca, para comentar o sucedido em San Bernardino e o modo como os Estados Unidos estão a prosseguir a luta contra o Estado Islâmico.

No terceiro discurso que pronuncia na Sala Oval, com esta escolha a sublinhar a importância da intervenção do presidente, Obama garantiu que o que torna "excecionais" os EUA é que a "liberdade é mais importante do que o medo" e que "é responsabilidade de todos os americanos rejeitarem toda e qualquer discriminação", o que levaria "à traição" dos valores que fundaram o país.

O presidente sublinhou a ideia de que "os milhares de ataques aéreos" até agora realizados contra o EI, "estão a destruir" o grupo e, por outro lado, assegurou que "não se deixará arrastar longos conflitos, como sucedeu no Iraque", em que os militares americanos estiveram envolvidos desde 2003 até 2014. "Não haverá botas no terreno" que comprometa toda uma geração por "uma outra década", disse Obama. E reafirmou que o EI e "qualquer outra organização que tente magoar" os EUA.

O dirigente americano afirmou que tudo está a ser feito para proteger a vida dos seus concidadãos, e reconheceu que o ataque de San Bernadino corresponde a "uma nova fase" do modo de atuar dos islamitas. O objetivo é agora "matar pessoas inocentes", explicou Obama, salientando estar-se perante um "ato terrorista". E pediu ao Congresso que aprove medidas para impedir que suspeitos possam adquirir armas automáticas e anunciou que será revisto o programa de concessão de vistos de entrada nos EUA.

Obama salientou que "esta não é uma guerra entre a América e o islão e lembrou que "milhões de muçulmanos patriotas" nos EUA são inimigos do EI, servem nas forças armadas e "estão prontos a morrer por este país".

Como foi antecipado, o presidente não fez qualquer anúncio relevante, mas procurou tranquilizar os americanos após o ataque de San Bernadino, em que morreram 14 pessoas, e os recentes atentados de Paris, que causaram a morte de 130 pessoas.

A intervenção de Obama sucede num momento em que uma clara maioria dos americanos critica o modo como este tem lidado com a questão do terrorismo. Para 68% de inquiridos numa sondagem realizada antes do ataque de San Bernadino, os EUA não estão a ser suficientemente agressivos no combate aos islamitas, com 53% a pronunciarem-se a favor do envio de forças terrestres para combater o EI. Como notou a CNN, é a primeira vez, desde o início da presente crise, que mais de 50% de inquiridos aceita um novo envolvimento militar terrestre dos EUA no Médio Oriente.

Segundo a Reuters, a Casa Branca estaria a ponderar o envio de mais unidades das forças especiais para o terreno para atuar contra o EI e o presidente deseja que mais seja feito nas redes sociais para nelas controlar a presença dos islamitas. As redes sociais têm vindo a revelar-se como um meio privilegiado de recrutamento e propaganda do EI, que parece atuar nelas de forma praticamente impune.

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