"Adorava ir", diz Trump. Republicanos travam novas audições

Primeiro dia do julgamento de Donald Trump no Senado dedicado à definição de regras, num debate acesso entre democratas e republicanos em torno das testemunhas da Casa Branca.

Correu de feição a Donald Trump o primeiro dia do julgamento do processo de impeachment. A sessão durou 13 horas, e só terminou quase às 02.00 da manhã de Washington (07:00 da manhã em Portugal Continental), e foi exclusivamente dedicada à discussão das regras que vão reger o julgamento, com o Partido Republicano a fazer valer o músculo da maioria que tem no Senado para absolver o presidente norte-americano, acusado de abuso de poder - nem emendas, nem testemunhas da Casa Branca.

O Partido Democrata apresentou onze emendas às questões procedimentais do julgamento, mas todas foram chumbadas pelos republicanos, liderados por Mitch McConnell. As regras aprovadas foram as que inicialmente tinham sido apresentadas.

Assim sendo, haverá um período de seis dias para discussões, três para a acusação e outros três para a defesa de Trump, que será seguido de um dia de perguntas por parte dos 100 senadores, que atuam como júri no julgamento, antes do debate e da votação final.

Em Davos, onde se encontra para o Fórum Económico Mundial, Trump garantiu aos jornalistas que adoraria testemunhar no Senado. "Adorava ir. Não ia ser ótimo? Não ia ser maravilhoso? Adorava - sentar-me na fila da frente e olhar para os seus rostos corruptos. Adorava fazer isso", exclamou o presidente. Mas questionado sobre se o faria mesmo, Trump admitiu: "Não sei. Não continuem a falar nisso senão ainda me convencem a ir". Mas admitiu que os seus advogados "podem ter um problema com isso. Acho que podem".

"Adorava ir. Não ia ser ótimo? Não ia ser maravilhoso? Adorava - sentar-me na fila da frente e olhar para os seus rostos corruptos"

Os democratas queriam convocar testemunhas, nomeadamente o chefe de gabinete da Casa Branca, Mick Mulvaney, e o ex-conselheiro de segurança nacional John Bolton, e requisitar documentos antes do fim do julgamento, mas McConnell recusou. Numa última proposta, os democratas procuraram dar ao presidente da sessão, John Roberts, o privilégio de decidir que testemunhas e documentos deviam ser requisitados para o julgamento, mas essa emenda também acabou por cair. Tal como as outras, com 53 votos contra e 47 a favor.

Donald Trump é acusado de ter pressionado o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, para investigar a atividade do filho do seu adversário político, Joe Biden, junto de uma empresa ucraniana envolvida num caso de corrupção, num gesto que a Câmara de Representantes diz constituir um ato de abuso de poder, bem como de ter tentado obstruir a averiguação destes factos por parte do Congresso.

Será preciso uma maioria de 2/3 dos votos para levar à sua remoção do cargo de Presidente, um cenário improvável perante o controlo dos republicanos na câmara alta do Congresso.

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