A luta para salvar Miami Beach: 61 mil toneladas de areia vão tentar travar erosão

Avanço do mar obriga governo dos Estados Unidos a construir uma barreira para que a água não chegue aos condomínios, num investimento de 14,4 milhões de euros

Para combater a erosão causada pela subida do nível do mar e pelas tempestades em Miami Beach, o governo norte-americano investiu 16 milhões de dólares (14,4 milhões de euros) para fornecer 61 mil toneladas de areia que serão utilizadas para construir uma barreira que proteja os condomínios do avanço do mar, escreve o Miami Herald .

As obras começaram no início do ano, com a areia a chegar às praias através de camiões desde uma mina no Condado de Hendry, também no estado da Florida, cortesia do corpo de engenheiros no exército dos Estados Unidos, que participa recorrentemente em projetos de restauração de praias ao longo da costa do Condado de Miami-Dade.

Até à conclusão das obras, prevista para junho, moradores e turistas terão de contornar as zonas de construção para aceder às praias. Quando o trabalho for concluído, as praias parecerão mais amplas e a costa mais reta.

Esta não é a primeira vez que as famosas praias de Miami Beach são intervencionadas. Dois pontos de acesso foram restaurados entre agosto de 2016 e março de 2017 e em 2018 o vento a chuva do furacão Irma obrigaram a nova intervenção.

Os projetos mais recentes de restauração em Miami Beach têm envolvido normalmente a transferência de areias a partir do cento do estado da Florida. Uma lei do governo de Washington proíbe os governos estatais a importar areia estrangeira de locais como as Bahamas, que seria uma opção mais barata.

Stephen Leatherman, professor de terra e meio ambiente na Universidade Internacional da Florida, diz que as áreas que estão a ser intervencionadas foram escolhidas porque estão a erodir-se mais rapidamente do que a média de Miami Beach, que é de 30 centímetros por ano. "Essas áreas deverão ser alimentadas continuamente para manter uma praia ampla para uso recreativo e proteger infraestruturas" como hotéis, paredões e dunas, afirmou o especialista, conhecido por Dr. Beach [Dr. Praia], pela sua experiência em ecologia costeira.

A areia extraída é de antigos depósitos de praia e dunas, composta principalmente de material de quartzo, que tem "aproximadamente o mesmo tamanho dos grãos de areia e a cor da área de carbonato", o que faz os banhistas "não notarem diferenças", garante Leatherman.

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