40 mil pessoas já foram resgatadas das cheias em Moçambique

Instituto Nacional de Gestão de Calamidades de Moçambique anunciou hoje que ainda há 347 mil pessoas em risco na província de Sofala, por causa do impacto do ciclone Idai, metade das quais no distrito de Buzi

Moçambique acordou esta quarta-feira em estado de emergência e de luto nacional pela tragédia em que o país mergulhou devido à passagem do ciclone Idai, que afetou também outros dois países vizinhos, Zimbabwe e Malawi.

O Instituto Nacional de Gestão de Calamidades de Moçambique anunciou que ainda há 347 mil pessoas em risco na província de Sofala, por causa do impacto do ciclone Idai, metade das quais no distrito de Buzi.

Imagens disponibilizadas por aquela entidade mostram centenas de pessoas empoleiradas em cima dos telhados de casas à espera de ajuda, ou partes de edifícios que, por pouco, resistiram às cheias. E muitas delas a serem transportadas pelas equipas de salvamento de Buzi para o que resta da cidade da Beira.

O ciclone Idai, que segundo balanço oficial disponível até agora fez 356 mortos e 1416 feridos, destruiu quase 90% da Beira, capital da província de Sofala e a segunda maior cidade do país.

Até ao momento, refere o balanço mais recente do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades de Moçambique, foram resgatadas 40 mil pessoas das cheias pelas equipas de resgate. Mobilizados estão 120 especialistas em busca e resgate, apoiados por 11 helicópteros, 15 barcos, dois aviões, duas fragatas, oito camiões e 30 telefones satélite.

As pessoas resgatadas foram levadas para os 96 centros de acomodação disponibilizados em Sofala, Manica, Tete e Zambézia. 10 454 famílias tiveram já acesso a abrigo e bens alimentares. Ao mesmo tempo em que surgem estes dados das autoridades oficiais moçambicanas não cessa também a mobilização de voluntários da sociedade civil, no país e fora dele, bem como de funcionários e meios de ONGs, governos estrangeiros e agências da ONU.

No levantamento de danos preliminar feito esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Gestão de Calamidades de Moçambique constam 616 salas de aulas destruídas, 14 310 alunos afetados, 30 unidades sanitárias afetadas, 274 131 hectares de culturas destruídas. Destes 11 025 ficaram totalmente destruídos, 4363 parcialmente destruídas, 2056 inundadas.

Segundo disse à agência Lusa, em Maputo, Cláudio Julaia, especialista em emergência da Unicef, as equipas de socorro preveem salvar todas as pessoas que estão isoladas pelas cheias no centro de Moçambique dentro de três a cinco dias. "Acredito que nos próximos três a cinco dias todas as pessoas que ainda estão em zonas de risco possam estar seguras", referiu o elemento das equipas que participam nas operações lideradas pelo governo moçambicano.

O mesmo especialista confirmou que as operações de socorro no centro de Moçambique preveem alimentar 400 mil pessoas e que há provisões para pelo menos três dias. "Segundo os números do governo estamos a falar de uma planificação para 400 mil pessoas e temos alimentos assegurados, pelo menos, para os próximos dias", referiu Julaia, à Lusa. "Pelo menos para 48 a 72 horas temos a situação assegurada", acrescentou o responsável, em entrevista àquela agência em Maputo.

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