Apoiantes de Morales desfilam com caixões de manifestantes mortos

Apoiantes do líder boliviano deposto Evo Morales desfilaram na capital La Paz, na quinta-feira, carregando caixões de pessoas mortas nos confrontos com militares e polícias para chamar a atenção para os custos que está a ter a crise naquele país sul-americano.

As forças de segurança dispararam gás lacrimogéneo para dispersar a multidão, depois dos manifestantes colocarem um dos caixões e uma esfinge da presidente interina, Jeanine Anez, em cima de um veículo militar blindado e tentarem entrar na praça onde fica o palácio presidencial, afirmou à Reuters uma testemunha no local.

Anez, ex-senadora da oposição a Morales, assumiu o cargo na semana passada sob uma onda de protestos. Pelo menos 29 pessoas foram mortas em confrontos desde que o presidente boliviano renunciou ao cargo a 10 de novembro, sob pressão de líderes cívicos e de forças segurança. Isto depois depois de uma auditoria internacional que detetou sérias irregularidades na contagem dos votos nas eleições de 20 de outubro, que deram a Morales uma vitória e um quarto mandato consecutivo.

Morales, que se exilou no México, disse que foi derrubado por um golpe racista de direita e prometeu que voltaria. Mas os membros do partido Movimento para o Socialismo (MAS), a que pertence, parecem prontos a seguir em frente sem ele. Tanto mais que concordaram trabalhar com os adversários para aprovar um alei para anular as eleições que decorreram a 20 de outubro e partir para um novo processo eleitoral.

Alguns membros do MAS pediram aos apoiantes do ex-presidente que interrompessem os protestos. "Temos de pacificar o país. Quero pedir publicamente à população, aos seguidores do Movimento pelo Socialismo, que parem os protestos e pensem nos novos líderes do nosso partido", disse à Reuters Henry Cabrera, membro do MAS e vice-presidente da Câmara dos Deputados. Cabrera afirmou ainda que o MAS disputará as eleições com candidatos novos e que Morales não será um deles.

Eleições em janeiro?

O MAS propôs novas eleições a 12 de janeiro. A ministra das Comunicações, Roxana Lizarra, disse acreditar que as eleições poderão ocorrer antes de 20 de janeiro. Já os apoiantes da presidente interina batem-se para que ela agende novas eleições sem ser preciso a aprovação do Congresso. Mas um acordo com os deputados do MAS, que controlam dois terços do parlamento, ajudaria a legitimar a próxima votação e o governo.

A nova ministra das Relações Exteriores da Bolívia, Karen Longaric, acusou Morales de provocar a tensão para desestabilizar o país. "O país não pode ser pacificado enquanto Evo Morales não abandonar essa atitude agressiva de confronto e de provocação", disse à Reuters a responsável política, que culpou os grupos armados radicais de instigar os confrontos e protestos.

Entretanto, ativistas dos direitos humanos, alarmados com o aumento das mortes nos confrontos, instaram o governo interino a revogar um decreto que concede aos militares o poder discricionário de uso da força. O que foi secundado pelo secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, que pediu a todas as partes que se abstenham de violência.

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