O mergulho certo no universo da realidade virtual

Novo jogo para PlayStation VR é uma experiência imersiva quase obrigatória para os fãs de O Caminho das Estrelas. E os outros também são capazes de gostar

Não haverá um único fã da saga Star Trek / O Caminho das Estrelas que não tenha sonhado poder sentar-se, por uma vez que fosse, na cadeira de comando da ponte da Enterprise e ter ao seu dispor todos os recursos, técnicos e humanos, daquela que é, provavelmente, a mais famosa nave espacial do universo conhecido.

Isso mesmo é o que permite o novo jogo Star Trek Bridge Crew, para PlayStation e PC. E fá-lo de uma forma eficaz, imersiva e, ainda por cima, bonita.

Bridge Crew é a mais recente aposta da Ubisoft nos jogos para sistemas de realidade virtual, designadamente o PlayStation VR, o Oculus Rift e o HTC Vive. Por ter sido lançado na semana que agora acabou, permitiu-nos já alguns dias de experiência com a versão para PSVR.

A conclusão? Se estava à espera de uma boa razão para dar o "salto" para a realidade virtual (e faz ideia o que significa "ir audazmente aonde nunca ninguém foi"), este é o momento.

Star Trek Bridge Crew consegue transmitir de uma forma incrível a noção de estar a bordo de uma nave da Starfleet, algo que já fora tentado, há 15 anos, em Star Trek Bridge Commander (Activision), mas que finalmente atinge a maturidade.

Claro que a imersão é especialmente conseguida através dos óculos de realidade virtual. Ainda que com algumas limitações gráficas, o PSVR permanece, sete meses após o seu lançamento, uma das formas mais económicas de obter esta tecnologia "a sério" (ainda que para jogar). Pelo menos por enquanto, não há sistema que use o telemóvel posto à frente dos olhos capaz de rivalizar com ele. E as alternativas para PC, ainda que mais poderosas, saem mais caras pois exigem um poderoso computador para funcionarem.

Mesmo numa PS4 normal (não testámos com a Pro), Star Trek Bridge Crew mostra gráficos bem conseguidos, com as imagens do exterior da nave a serem, com frequência, belas (veja alguns screenshots em cima).

Depois, a nível de jogabilidade, a Ubisoft conseguiu uma mecânica ao mesmo tempo simples e, poder-se-á dizer, realista.

O jogador assume o comando da USS Aegis, nave experimental (número de código NX-1787) do universo Star Trek iniciado no filme de JJ Abrams em 2009 -- também conhecido como a linha temporal Kelvin --, que foi o reboot da saga criada por Gene Roddenberry para televisão em 1966.

Existe também a possibilidade de comandar a Enterprise (NC-1701) da série original. Voltamos a isso mais à frente.

Existem quatro postos no comando da nave disponíveis: comandante, navegador, operações táticas (armamento) e engenharia.

O jogador pode assumir qualquer um destes postos, com as suas respetivas especificidades.

Melhor com amigos

Em modo de jogo a solo, o jogador é naturalmente o comandante da nave, com os restantes postos a serem geridos por sistemas de inteligência artificial que respondem às ordens dadas. O jogador pode "saltar" para uma das outras cadeiras a qualquer altura, mas deixa durante esse período de ter acesso aos comandos específicos do capitão da nave.

A inteligência artificial dessas personagens é, precisamente, um dos maiores defeitos de Star Trek Bridge Command. Ainda que o sistema criado pela Ubisoft para lhes transmitir ordens seja bom e intuitivo, as decisões que eles tomam por vezes não são as melhores. E momentos há em que desejávamos ter a possibilidade de dar uma ordem mais genérica (tipo "aponta à segunda estrela à direita e segue em frente até à madrugada") enquanto nos vamos preocupar com outros assuntos.

Por isso Star Trek Bridge Crew é nitidamente um jogo para jogar com amigos (ou, pelo menos, mais uma pessoa). Em multiplayer, cada jogador pode ocupar um dos quatro postos referidos e comunicar por voz em tempo real, trabalhando em equipa como uma verdadeira tripulação.

(A Ubisoft prometeu vir a ser possível dar ordens por voz ao sistema de inteligência artificial, num software ligado à AI Watson, da IBM. Esperamos ansiosamente...)

Há a possibilidade de entrar em salas de jogo virtuais e fazer equipa com desconhecidos, o que obviamente não é para os mais tímidos e, especialmente, não é para quem fale mal inglês.

De qualquer forma, mesmo em modo "single player" a experiência é boa e recomenda-se.

O jogo não está, no entanto, isento de defeitos. Em primeiro lugar, o modo "campanha" é muito curto -- cinco missões, mais a inevitável (quem gosta de Star Trek sabe o que é) Kobayashi Maru.

Depois há mais missões "avulsas" para jogar, em modo sequencial ou aleatório -- em que o sistema "dispara" uma delas -- o que prolonga a vida "útil" de Star Trek Bridge Crew.

É neste modo que se pode escolher jogar com a Enterprise da série original. Esta está fielmente reproduzida, do cenário da ponte aos efeitos sonoros, tendo havido inclusivamente o cuidado de encontrar uma lógica para os ecrãs e os botões luminosos e alavancas que Kirk, Spock e companhia utilizavam há 50 anos.

Também aqui, no entanto, as missões acabam por ser um pouco repetitivas -- e esse é o segundo maior defeito de Star Trek Bridge Crew. Há muitas batalhas espaciais (com os Klingons) e algumas missões de salvamento (com batalhas pelo meio), mas há pouco a fazer a nível de exploração pura e simples.

Abre-se assim espaço para uma nova ambição: agora que já nos podemos sentar ao comando de uma nave da Starfleet, podermos ir de facto em busca de "novos mundos, novas civilizações".

E, já agora, porque não, tendo mais opções de naves, como a Enterprise D, da Nova Geração, a USS Defiant, de Deep Space Nine, ou até a Voyager.

Talvez venham a ser criadas expansões (DLCs) com algo do género. Afinal, a base para tudo isto já aqui está. E é mesmo muito boa.

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