O Porto e o Palácio da Bolsa no regresso do "Visita Guiada"

Com uma equipa de cinco pessoas, Paula Moura Pinheiro tem percorrido o país, de norte a sul sem esquecer as ilhas, para revelar a excecionalidade do património português. Na segunda-feira começa a sétima temporada do "Visita Guiada", atingindo o 100º programa. A jornalista explica ao DN como faz as escolhas, apostando no inesperado para surpreender

A sétima temporada de Visita Guiada chega esta segunda-feira à RTP2, regressando ao horário em que se estreou, em março de 2014, às 23.00. O Porto e o Palácio da Bolsa protagonizam este 100.º episódio do programa concebido por Paula Moura Pinheiro, para o qual encontrar os tesouros para dar a conhecer não é uma tarefa fácil, até pelos critérios por si impostos.

Para começar, "têm de ser excecionais em qualquer parte do mundo, e a ideia é mostrar e explicar objetos que tanto podem ser um cálice ou uma catedral". Mas a excecionalidade não é sinónimo de grandioso, esmagador, luxuoso, como esclarece. "O formato do programa é ir à procura de coisas excecionais no sentido da singularidade, no sentido de serem, de alguma forma, únicas, surpreendentes". Um formato que a jornalista apresentou ao Centro de Produção de Porto da RTP, após um convite feito pelo então diretor, Elísio Oliveira, pondo assim fim a quase um ano em que, diz, "estive na prateleira".

A escolha, responsabilidade que assume sozinha desde a primeira temporada, torna-se ainda mais difícil quando Paula Moura Pinheiro acrescenta outro critério: evitar o óbvio. Para o demonstrar, exemplifica: "Só na última temporada fui aos Jerónimos e foi para contar uma história muito particular."

Por isso mesmo, o Visita Guiada ainda não passou pelos mosteiros de Alcobaça nem da Batalha, embora a jornalista os coloque numa restrita lista de quatro exemplos de património português que considera "esmagadores", a par do Mosteiro dos Jerónimos e do Convento de Cristo, em Tomar.

Nem tão-pouco responde às muitas sugestões que vai recebendo dos telespetadores e ouvintes que pretendem ver denunciados alguns casos. "Não é essa a vocação do programa. A estratégia é fazer que as pessoas se orgulhem da sua história e do seu património. Esse orgulho beneficiará todo o património e forçosamente dará frutos naquele que está a ser maltratado".

Não sendo historiadora de formação, Paula Moura Pinheiro teve de recorrer a pessoas da área para lançar o formato. "Houve uma pessoa que me deu um grande apoio logo desde o início, a quem recorro imensas vezes e a quem nunca paguei um tostão: o conservador do Museu Nacional de Arte Antiga Anísio Franco. Foi absolutamente precioso para fazer a primeira série e mantém-se até hoje na ficha técnica. O [historiador de arte] Paulo Pereira também me ajudou, de uma maneira menos presencial, foi igualmente generoso."

A diversidade é uma das preocupações no alinhamento de cada temporada. "Se numa semana estamos a trabalhar num objeto do século XIX, por exemplo, na semana seguinte gosto de ir para a Idade Média." A natureza dos objetos e a sua localização também muda. Algo que leva a pequena equipa por todo o país. Um aspeto que levou Paula Moura Pinheiro a reduzir a produção do programa ao máximo. "De vez em quando maquilho uma historiadora, e até já cortei o cabelo para que quando estiver a gravar em Trás-os-Montes não andar aflita à procura de um cabeleireiro".

A escolha dos objetos para cada temporada pressupõe não só a consulta de especialistas nesta área, como também muitas horas de pesquisa, leitura e estudo. "A pesquisa é só minha. O que faço é consultar as minhas fontes, informo-me junto dos melhores, depois vou estudar a lição".

Algo que, diz, pressupõe "um mergulho no discurso e no universo da academia para estudar e encontrar a pessoa certa a entrevistar; e depois o trabalho quase equivalente em termos de peso para descolar do discurso académico e construir uma narrativa para o grande público que seja sedutor, acessível o mais possível a toda a gente, sem nunca perder o rigor".

Em todo este processo, Paula Moura Pinheiro coloca ainda um outro crivo: "encontrar a última novidade, consistente, no que respeita à abordagem do objeto". É assim que chega ao historiador/entrevistado de cada programa. "Tem de ser alguém que me saiba contar, que tenha trabalhado sobre aquele objeto e que tenha ou alguma novidade para dar ou um conhecimento tão profundo que lhe permita fazer uma leitura integrada. Porque não é só falar do objeto, mas também do tempo em que foi produzido, o contexto à sua volta".

No início da sétima temporada, o "objeto é uma ideia que o Palácio da Bolsa encarna: o Porto nunca gostou do beija-mão à corte. E encontrei um convidado completamente atípico no programa, o [eurodeputado] Paulo Rangel". Embora não sendo historiador, como quase sempre acontece, "é um autodidata em história, um apaixonado pela história da sua cidade em particular, e pertence à direção da Associação Comercial do Porto, e portanto conhece aquele palácio como a palma das mãos dele". Para além disso, diz, "o Palácio tem aspetos que são absolutamente excecionais em qualquer parte do mundo". Quais? Isso fica para descobrir na segunda-feira, às 23.00.

Visita Guiada

Às segundas-feiras, às 23.00, na RTP2

Às quartas-feiras, às 00.00, na Antena 1

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