O adeus à série "bagunçada" por mistério e crime

Quarta e última temporada de 'Banshee' é transmitida aos sábados pelo TV Séries. Atores e realizador revelam ao DN os segredos das personagens e do grande final, que não será feliz

Esteve 15 anos atrás das grades pelo roubo de diamantes. Saiu, assumiu a identidade de Lucas Hood, um desaparecido agente da polícia, e tornou-se xerife da pequena cidade de Banshee, na Pensilvânia. Aí, prosseguiu discretamente com as suas atividades criminais, enquanto se escondia daqueles que traiu, e que o enviaram para a prisão, anos antes. Começava desta forma, em 2013, a série Banshee. Com drama e sangue já derramado, faltam agora poucos episódios para a grande despedida - os episódios da quarta e última temporada são transmitidos aos sábados à noite, pelas 21.15, no canal TV Séries.

"Quando uma personagem está num buraco, faz parte da natureza da série enterrá-la ainda mais fundo. É assim que arranca a quarta temporada. O Lucas é um sobrevivente e está a tentar atingir um nível relativo de conforto. No final da terceira, abdicou do seu distintivo de xerife e, assim que o fez, teve de olhar para si mesmo e perceber quem é. Nesta temporada, há muita autoexaminação, muito crescimento, muita procura pela alma", explica ao DN o protagonista, o ator Antony Starr. Para ele, um dos elementos mais importantes da trama é, precisamente, "a ideia de transformação". "Muitas pessoas, quando saem da prisão, aceitam que é apenas isso que são: criminosos, animais. Uma das melhores coisas desta personagem é que, o que quer que aconteça, ele está constantemente a tentar atravessar a lama, a tentar encontrar o caminho certo", frisa.

Nos oito episódios que compõem a última temporada, o ambiente em Banshee vai agitar-se, especialmente, com a chegada de uma impiedosa agente do FBI, que ameaça descobrir a verdadeira identidade de Hood. Enquanto isso, ele, apesar de já não ser xerife, tenta resolver uma série de misteriosos homicídios. "Desta vez, quisemos fazer as coisas de forma diferente. Há um mistério central e menos cenas de ação. É muito mais sobre o lado alternativo da cidade de Banshee, sobre aqueles momentos de violência brutal, suspense e pavor", revela o realizador e argumentista da trama, Jonathan Tropper.

Paralelamente, há um romance ainda por resolver. E os fãs bem anseiam por isso. Lucas e Carrie. Ela, além de ser uma antiga paixão, mãe do seu filho e a verdadeira razão pela qual Lucas decidiu viver em Banshee, é também sua cúmplice em vários crimes. "O Lucas e a Carrie vão estar sempre ligados. Têm um filho em comum e, mais do que isso, são espíritos da mesma natureza. Acho que é muito mais interessante agora, que não são um casal", admite Starr. Cabe a Ivana Milicevic vestir a pele de Carrie - também ela, nesta fase, focada em redimir-se do passado. "Ela sente-se muito culpada e está a fazer terapia. Mas não pode voltar atrás no tempo, não consegue trazer o seu marido de volta e não pode, de repente, tornar-se uma mãe melhor", reconhece a atriz.

Mas há más notícias para os espectadores que ainda acreditam num final feliz para este par. "Se há coisa que sempre tive em mente para o final da série é que tem de haver consequências para o que o Lucas e a Carrie fizeram ao longo dos anos. Eles não podem simplesmente partir em direção ao pôr do Sol. Não é justo para todas as pessoas que morreram", revela o realizador. "Nem em nome do amor verdadeiro?", perguntámos. "Não. Como é que podemos torcer para que as personagens fiquem juntas se causaram tanta destruição? Tem que haver um equilíbrio. Têm que pagar pelos seus pecados", frisa Jonathan Tropper.

Fãs e legado da trama

Aparentemente desconhecida para muitos, esta série é, no entanto, a maior recordista de audiências do seu canal-âncora, o Cinemax, que pertence à estação HBO: a segunda e a terceira temporadas registaram uma média de 530 mil e 580 mil espectadores por episódio, respetivamente. Um resultado significativo, tendo em conta que se trata de um canal por assinatura. "A sua inteligência é evidente. A história, bagunçada por personagens intrigantes, torna-se ainda mais sedutora", escreve um crítico do The Wall Street Journal. Recheada de explosões e atribuladas cenas de ação, Banshee chegou, inclusive, a ganhar um prémio Emmy de melhores efeitos visuais, em 2013.

Para o sucesso da trama ao longo dos últimos três anos muito contribuíram os seus fãs, especialmente interventivos nas redes sociais. "Há uma interação muito forte online, temos muitos seguidores no Twitter: as pessoas fazem-nos muitas perguntas e gostam muito dos extras que lançamos [como histórias com as origens das personagens, um livro de banda desenhada ou uma banda sonora]", remata ao DN Jonathan Tropper.

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