Pedro

Pedro Rolo Duarte

A jornalista e blogger Sónia Morais Santos recorda Pedro Rolo Duarte, que morreu ontem aos 53 anos.

Pedem-me que escreva uma crónica sobre ti. 1800 caracteres, dizem-me. Como raio escrevo tudo o que vivemos em 1800 caracteres? E como é suposto que o faça neste momento em que uma parte tão grande de mim se foi?

És uma das pessoas mais importantes da minha vida e vais fazer-me uma falta do catatau (palavra que gostavas de usar). Não tens idade para ser meu pai mas foste meu pai. Meu irmão. Meu amigo. Meu mestre. Meu jornalista preferido. Conhecemo-nos em 1996. Tu puseste um anúncio no jornal a pedir jornalistas e eu tive a imensa sorte de dar com ele e saiu-me o euromilhões porque fui a escolhida para ficar a trabalhar contigo. Trabalhámos juntos na rádio, onde me ensinaste a fazer tudo à primeira, "live on tape, não há cá merdas", na televisão e, depois, no DNA, o suplemento deste jornal que foi das publicações mais incríveis que este país já viu. Ia escrever "a publicação mais incrível" mas sei que também tens a K no coração, entre outras por onde passaste e fizeste magia.

O DNA foi mais do que um suplemento. Foi uma escola, uma família, um palco, um ninho. Tu, com o teu génio, criaste um espaço onde jornalistas, fotógrafos, ilustradores, cronistas, designers puderam mostrar do que eram capazes. Era uma honra escrever, fotografar, ilustrar, contar, desenhar para o DNA e, por isso, todos nós dávamos o nosso melhor. Esse era um dos teus rasgos: criar de forma brilhante e dares o palco para que outros brilhassem. Como se não bastassem as páginas que atribuías a cada trabalho - sempre generosas - ainda fazias questão de destacar, no editorial, a qualidade do que ali estava. Sempre que escrevias sobre mim era Natal. Deste-me muitos Natais.

Fizeste tudo o que havia para fazer: revistas, jornais, rádio, televisão, livros, blogue. Foi pena que não tivesses feito mais. Porque seria sempre bom. Seria sempre bom para o Jornalismo e seria sempre bom para todos os que colaborassem contigo. Uma aprendizagem, um palco, uma alegria. Hoje foste-te embora mas para mim estarás sempre aqui. Sempre meu. Sempre genial. Sempre e para sempre.

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