Nuno Artur Silva sai da administração da RTP

Gonçalo Reis vai cumprir um novo mandato de três anos na estação pública.

Nuno Artur Silva vai sair da administração da RTP, avançou o jornal Expresso.

Gonçalo Reis, presidente do conselho de administração, foi convidado pelo Conselho Geral Independente a cumprir um novo mandato de três anos na estação pública. Cristina Vaz Tomé também cessa funções, segundo um comunicado divulgado hoje.

Nuno Artur Silva vai sair do cargo em virtude da "irresolução do conflito de interesses entre a sua posição na empresa e os seus interesses patrimoniais privados".

O atual Conselho de Administração da RTP, liderado por Gonçalo Reis, termina o mandato em fevereiro.

"O CGI da RTP, na sua primeira reunião com todos os membros em plenitude de funções, decidiu comunicar ao Governo, na pessoa do senhor ministro da Cultura, a sua decisão de convidar Gonçalo Reis a apresentar um Projeto Estratégico para a RTP, para o triénio de 2018-2020", adianta, em comunicado, citado pela Lusa, o órgão que supervisiona a administração da estação pública.

"As Linhas de Orientação Estratégica, cuja elaboração o CGI está a ultimar desde o momento de indigitação dos seus novos membros, resultam de reuniões com um conjunto alargado de responsáveis da empresa", prossegue o CGI, que aproveita para "saudar os membros cessantes do atual Conselho de Administração" Nuno Artur Silva e Cristina Tomé.

O CGI recorda que Nuno Artur Silva foi "responsável, nos últimos três anos, pela reconfiguração estratégica da política de conteúdos da empresa, numa ótica de serviço público de media, tarefa que desempenhou de modo altamente meritório e sucessivamente reconhecido pelas instâncias de escrutínio da empresa".

No entanto, a continuidade de Nuno Artur Silva na RTP é "incompatível com a irresolução do conflito de interesses entre a sua posição na empresa e os seus interesses patrimoniais privados, cuja manutenção não é aceitável, não obstante o CGI, no âmbito das suas funções de supervisão e fiscalização, não ter verificado que isso tenha sido lesivo da empresa, no decurso do seu mandato", argumenta o Conselho Geral Independente, no comunicado.

No que respeita a Cristina Tomé, o CGI salienta que a administradora cessante, com o pelouro financeiro, "contribuiu, de modo altamente meritório, para uma gestão empresarial eficiente, que se saldou pelo equilíbrio das contas e pela estabilização financeira, ao longo dos três anos de mandato".

Além disso, Cristina Tomé teve "um papel da maior importância no relançamento dos investimentos na RTP, com diversas iniciativas relevantes", conclui o CGI.

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