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24 março 2023 às 22h12

Jacques Rodrigues fica detido até segunda-feira

Dono da Impala foi ouvido em tribunal e continuará detido pelo menos até segunda-feira, dia em que vai conhecer as medidas de coação.

DN

O empresário Jacques Rodrigues, líder do grupo de comunicação social Impala, foi esta sexta-feira ouvido em tribunal e continuará detido pelo menos até segunda-feira, dia em que vai conhecer as medidas de coação, avança a SIC Notícias.

Além do dono do grupo das revistas Nova Gente e Maria, também o filho e o advogado foram ouvidos no tribunal de Sintra.

Já o revisor de contas, José Rito, só será ouvido na segunda-feira de manhã.

O empresário detido esta quinta-feira pela Polícia Judiciária (PJ), numa operação que deteve outras três pessoas e fez buscas em vários pontos do território nacional, tendo sido constituídos 10 arguidos.

De acordo com a nota de imprensa divulgada pela PJ, na operação intitulada "Última Edição", levada a cabo pela Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC), estão em causa suspeitas da prática dos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa, insolvência dolosa agravada, burla qualificada e falsificação ou contrafação de documentos.

"Durante a ação policial que se desenvolveu em Lisboa, Sintra, Cascais, Oeiras, Amadora, Santo Tirso, Porto, Matosinhos e Funchal, procedeu-se ainda ao cumprimento de quatro mandados de detenção fora de flagrante delito e à constituição de dez arguidos", referiu a PJ, esclarecendo que foram realizadas oito buscas domiciliárias e 24 buscas não domiciliárias, das quais seis em empresas de comunicação social, quatro em gabinetes de revisores oficiais de contas e uma num escritório de advogados.

A PJ adiantou ainda que a operação visou a recolha de provas complementares e contou com o apoio de diferentes unidades desta força policial, envolvendo mais de 100 investigadores criminais e peritos, além da colaboração do Ministério Público, que tem o inquérito sobre esta matéria a correr no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Sintra.

"Em causa está uma investigação criminal cujo objeto visa um plano criminoso traçado para, entre o mais, ocultar a dissipação de património, através da adulteração de elementos contabilísticos de diversas empresas, em claro prejuízo de diversos credores, (...) os trabalhadores, fornecedores e o Estado, estando reconhecidos créditos num valor total de cerca de 100.000.000,00Euro (cem milhões de euros)", lê-se na nota divulgada.

A PJ salientou também a "forte indiciação" do desvio do dinheiro "para fora do território nacional, num montante global que ascenderá a largas dezenas de milhares de euros".

A Impala viu o Juízo de comércio de Sintra declarar em outubro a insolvência da Descobrirpress, de Jacques Rodrigues.

O grupo Impala tinha há vários anos litígios em tribunal por créditos salariais devidos a ex-trabalhadores.