Turismo Industrial já tem norma de qualidade específica para a realidade portuguesa

Entidades públicas e privadas de Turismo Industrial podem, a partir de hoje, candidatar-se à certificação pela norma que o Instituto Português da Qualidade criou especificamente para o setor, com vista ao desenvolvimento e excelência dos seus serviços.

Em causa está a NP 4556/2017 - Norma de Qualidade do Turismo Industrial, que foi esta manhã apresentada em São João da Madeira no âmbito do II Encontro da Rede Portuguesa de Turismo Industrial e resulta do trabalho de uma comissão técnica envolvendo 19 instituições nacionais.

José Luís Graça, do Instituto Português de Qualidade, explicou que o processo foi iniciado por iniciativa do município de São João da Madeira, que, sendo pioneiro no setor, reuniu para o efeito "o conjunto nacional das entidades mais representativas e relevantes" desse segmento de nicho, ainda em fase de afirmação em Portugal, mas já "um fenómeno crescente em todo o mundo".

Alexandra Alves, chefe da Unidade de Turismo de São João da Madeira e membro da comissão técnica na origem da NP 4556/2017, admite que o setor poderia regular-se apenas pelas normas internacionais já disponíveis para o Turismo Industrial, mas defende que essas não seriam adequadas à realidade portuguesa.

"A norma internacional está a ser desenvolvida tendo em vista uma realidade que se encontra já num patamar superior ao nosso, como a que se pratica em França, na Alemanha e em Espanha, e nós não quisemos falhar a oportunidade de dar às entidades portuguesas a hipótese de terem também uma certificação", afirmou essa responsável.

Leonor Picão, do Turismo de Portugal, reconhece à nova norma a possibilidade de evoluir consoante o próprio progresso que o setor venha a registar em território nacional: "Uma das vantagens da normalização é a de podermos ir adaptando a norma à realidade do mercado, revendo-a periodicamente para aumentar a satisfação e melhorar a oferta".

Nesta primeira fase, contudo, a expectativa dessa responsável é que, "dentro de um ano ou dois já se possam apresentar as primeiras certificações atribuídas".

Para Melchior Moreira, do Turismo do Porto e Norte de Portugal, trata-se de valorizar um produto que, "de certa forma, ainda é novo" em território nacional, mas representa já "um nicho de mercado interessantíssimo" para o desenvolvimento generalizado do setor em que se insere.

Municípios, entidades públicas e empresas privadas têm na nova certificação, portanto, um recurso acrescido para competir com a oferta estrangeira, considerando que o Turismo Industrial "é hoje um produto que os turistas estrangeiros procuram para vivenciar de forma diferente a história" e o património de determinado território.

A NP 4556/2017 - Norma de Qualidade do Turismo Industrial visa uniformizar procedimentos e serviços em áreas práticas como, por exemplo, os mecanismos de segurança e higiene dentro das unidades fabris abertas a turistas, a sinalética interna de orientação dentro desses espaços, a oferta de estacionamento específico para autocarros, a classificação e interpretação do património exposto e visitável e a qualificação profissional dos respetivos guias e monitores.

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