Porto em projeto europeu para aumentar a produção de leguminosas na Europa

Investigadores da Universidade Católica do Porto estão a participar num projeto europeu financiado em cinco milhões de euros que visa desenvolver sistemas agrícolas e agropecuários sustentáveis e aumentar a produção de leguminosas na Europa.

Apesar de serem "nutricionalmente ricas" e "altamente sustentáveis", visto não necessitarem de fertilizantes químicos, as leguminosas "não são ainda adotadas como uma prática agrícola comum" na Europa, devido, sobretudo, "às dúvidas relacionadas com a sua rentabilidade", disse à Lusa a investigadora Marta Vasconcelos, da Escola Superior de Biotecnologia (ESB) da Universidade Católica.

De acordo com a investigadora, isso deve-se à existência de uma perceção um "pouco negativa" da população geral em relação à sua utilidade, ao facto de algumas demorarem "mais tempo a cozinhar" e à falta de informação sobre os benefícios associados ao seu consumo.

Essas dúvidas levam a que as leguminosas sejam cultivadas em apenas "dois a três por cento das terras aráveis da União Europeia" e a uma importação elevada destes produtos a partir da América do Sul e do Canadá, por exemplo.

Um dos grandes objetivos do TRUE é, assim, "aumentar a competitividade comercial das leguminosas na UE, "promover a autossustentabilidade, em termos de produção", e fazer com que "o círculo da cadeia de valores, desde a produção até ao consumidor, seja mais curto, mesmo em termos geográficos", explicou Marta Vasconcelos.

Neste projeto, a ESB é responsável pela análise nutricional das diferentes leguminosas, provenientes dos vários parceiros europeus e que estão a ser produzidas em sistemas diferentes, como a produção orgânico e a tradicional.

A partir dessas leguminosas, o grupo de investigação vai selecionar "as melhores", com o intuito de produzir novos alimentos que sirvam de alternativa à proteína animal.

De acordo com Marta Vasconcelos, as leguminosas têm, em relação às outras plantas, a vantagem e a capacidade de, através da raiz, absorver o azoto atmosférico e fixá-lo no solo, enriquecendo-o, o que também é benéfico para o meio ambiente.

Através deste projeto, os investigadores pretendem ainda utilizar as leguminosas como "fertilizantes vegetais" ou "fertilizantes vivos", como é o caso da criação de ração para aquacultura recorrendo ao uso de tremoços e feijão.

O projeto TRUE - Percursos de Transição Para Sistemas de Produção Sustentáveis Baseados nas Leguminosas na Europa - envolve 24 parceiros de Portugal, da Croácia, da Dinamarca, da Alemanha, da Grã-Bretanha, da Grécia, da Hungria, da Irlanda, da Eslovénia e de Espanha e tem a duração de quatro anos.

Contando com o apoio de parceiros académicos e de empresas que operam na produção e processamento de leguminosas bem como na sua distribuição e comercialização, é financiado pelo programa da União Europeia Horizonte 2020.

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