Peça "Damas da Noite", uma farsa de Elmano Sancho em estreia na quinta-feira no Porto

Porto, 07 mai 2019 (Lusa) -- A peça "Damas da Noite", de Elmano Sancho, que se estreia na quinta-feira no Teatro Carlos Alberto, no Porto, expõe "a realidade" de um homem que à noite dá voz e corpo à mulher que teria sido.

"Em conversa com o meu pai percebi que se tivesse nascido menina, teria um nome, e que o nome seria Cleópatra. Peguei nesse ponto de partida, tão simples, para poder refletir então que mulher teria sido essa Cleópatra caso ela tivesse nascido", afirmou o encenador da peça, Elmano Sancho.

Em declarações aos jornalistas depois de um ensaio para a imprensa, Elmano Sancho salientou que a criação de raiz desta "figura feminina" foi um desafio na medida em que partiu de uma "ideia".

"Será que vou conseguir criar esta figura feminina? E depois de criar, ela passa a ser mulher? O que é ser mulher? Como é que se consegue construir de raiz e dar vida a uma ideia? Porque na verdade, o que estamos a tentar fazer é dar vida a uma ideia. Se eu tivesse sido mulher, que mulher teria sido?", questionou o encenador.

Na peça, Elmano Sancho explora por isso o "mundo do transformismo" inspirado nas 'drag queens' e as "fronteiras" entre a realidade e a ficção, o ator e a personagem, o homem e a mulher, a tragédia e a comédia, o dia e a noite.

Em palco, Elmano Sancho junta-se a três 'performers' - Dennis Correia, Pedro Simões e Marie Carré - para dar voz e corpo à menina que os seus pais sempre desejaram ter, a Cleópatra, mas que nunca chegou a nascer.

"Todas as noites, transformo-me na filha que nasceu para tratar dele. [...] Para ele, eu sou um erro, um desastre. Para ele não devia ter nascido. Ou melhor, devia, mas mulher", afirma, durante uma das cenas, a personagem interpretada por Elmano Sancho, referindo-se ao seu pai.

"O espetáculo, tal como a construção desta personagem, está em constante mutação. E, até o título, porque até há pouco tempo percebi que isto era uma farsa, não uma tragédia", adiantou o encenador, acrescentado que a mudança do título reflete "o lado trágico e cómico" da peça.

Elmano Sancho admitiu aos jornalistas que pretende com esta peça "inquietar" o público, especialmente em relação aos "subtemas" e todas as questões que a presença dos "transformistas" evoca.

"Só espero que seja um espetáculo que mexa, que coloque questões, que incomode e que crie inquietação", concluiu.

A peça, que é uma coprodução do Culturproject, Lobo Solitário, Teatro Nacional D. Maria II, Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão e Teatro Nacional São João, estreia-se na quinta-feira, às 21:00, e fica até domingo no Teatro Carlos Alberto, no Porto.

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