Morcegos podem ser controlo eficaz e natural de pragas

Uma experiência de investigadores da Universidade de Lisboa comprovou que os morcegos são um controlo de pragas natural eficaz, salvando culturas de arroz dos insetos e evitando a desflorestação.

Num estudo publicado na revista Agriculture, Ecosystems and Environment, analisa-se o papel de várias espécies de morcegos que se alimentam de "pragas de insetos nefastos" para a agricultura, especialmente a cultura do arroz, na ilha de Madagáscar.

As pragas destroem grandes quantidades de arroz e para arranjar mais campos de cultivo, 1% das florestas de Madagáscar desaparece todos os anos.

"Verificámos que algumas espécies estão a tirar partido da modificação do habitat para caçarem os insetos que se aglomeram sobre os arrozais do país. Várias destas espécies são aves e morcegos insetívoros que, através da supressão de pragas agrícolas, podem fornecer um valioso serviço às populações locais", descreveu Adrià López-Baucells, coautor do artigo e estudante de doutoramento no Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (cE3c) da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL).

Na investigação, usaram-se gravadores ultrassónicos de última geração e técnicas moleculares para analisar a alimentação de morcegos insetívoros e analisaram-se geneticamente as suas fezes para descobrir o que comiam.

Em Madagáscar habitam 36 espécies de morcego únicas no mundo, mas entre a população são vistos como um incómodo que espalha doenças.

No entanto, além de pragas que afetam a agricultura também comem os mosquitos que espalham doenças como a malária ou a elefantíase.

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

A angústia de um espanhol no momento do referendo

Fernando Rosales, vou começar a inventá-lo, nasceu em Saucelle, numa margem do rio Douro. Se fosse na outra, seria português. Assim, é espanhol. Prossigo a invenção, verdadeira: era garoto, os seus pais levaram-no de férias a Barcelona. Foram ver um parque. Logo ficou com um daqueles nomes que se transformam no trenó Rosebud das nossas vidas: Parque Güell. Na verdade, saberia só mais tarde, era Barcelona, toda ela.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Dos pobres também reza a história

Já era tempo de a humanidade começar a atuar sem ideias preconcebidas sobre como erradicar a pobreza. A atribuição do Prémio Nobel da Economia esta semana a Esther Duflo, ao seu marido Abhijit Vinaayak Banerjee e a Michael Kremer, pela sua abordagem para reduzir a pobreza global, parece indicar que estamos finalmente nesse caminho. Logo à partida, esta escolha reforça a noção de que a pobreza é mesmo um problema global e que deve ser assumido como tal. Em seguida, ilustra a validade do experimentalismo na abordagem que se quer cada vez mais científica às questões económico-sociais. Por último, pela análise que os laureados têm feito de questões específicas e precisas, temos a demonstração da importância das políticas económico-financeiras orientadas para as pessoas.

Premium

Marisa Matias

A invasão ainda não acabou

Há uma semana fomos confrontados com a invasão de territórios curdos no norte da Síria por parte de forças militares turcas. Os Estados Unidos retiraram as suas tropas, na sequência da inenarrável declaração de Trump sobre a falta de apoio dos curdos na Normandia, e as populações de Rojava viram-se, uma vez mais, sob ataque. As tentativas sucessivas de genocídio e de eliminação cultural do povo curdo por parte da Turquia não é, infelizmente, uma novidade, mas não é por repetir-se que se deve naturalizar e abandonar as nossas preocupações.