MNE encontra-se com estudantes de Águeda para abordar presente e futuro da Europa

As vantagens e desafios da UE foram hoje sublinhados pelo ministro dos Negócios Estrangeiros perante alunos do ensino secundário da região de Águeda, numa sessão em Lisboa destinada a reforçar o sentimento de pertença a uma comunidade de nações.

Após um dia intenso, 24 alunos do 8.º ano da Escola Marques de Castilho, do Agrupamento Escolas de Águeda Sul, acompanhados por professores, participaram nesta sessão das Aulas Jacques Delors, organizada pelo Centro de Informação Europeia Jacques Delors (CIEJD) e que decorrem desde 1998, desta feita com a presença do ministro Augusto Santos Silva.

"O Futuro da União Europeia" foi o tema da palestra do chefe da diplomacia portuguesa.

Ao assumir com naturalidade um tom didático, revelador da experiência de antigo professor, falou da sua juventude, do Portugal antes e depois do 25 de Abril, do Portugal antes e depois da adesão à União Europeia (UE), mesmo do Portugal antes e após a adesão à moeda única, para sublinhar as vantagens dessas decisões.

Os alunos e alunas, antes da chegada do ministro, tinham sido questionados em tom informal sobre as capitais de diversos países europeus, ou identificações de bandeiras de alguns Estados-membros. Na presença do ministro, que também os desafiou, revelaram-se mais comedidos.

No entanto, o ministro falou em tom informal. Referiu-se a dois dos seus três filhos que estudaram no estrangeiro no âmbito do programa Erasmus, e valorizou os progressos obtidos pelas mais recentes gerações após a integração de Portugal num espaço geográfico comum, que permitiu o fortalecimento da democracia e ainda "que os nossos concidadãos sejam vistos como europeus e não como imigrantes" que aceitavam o trabalho que franceses ou alemães não pretendiam efetuar.

A mensagem didática prosseguiu para estas gerações ainda muito jovens: de uma Europa que já não se envolve em conflitos militares internos, que integrou países do Leste, e que pretende facilitar a vida aos seus cidadãos, "a todos vocês, para que possam trabalhar em qualquer país europeu", porque, disse: "pertencemos ao mesmo espaço, com os mesmos direitos".

Augusto Santos Silva reconheceu contudo algumas "coisas estranhas" na União, um sistema jurídico "incompreensível" e um sistema de decisão "labiríntico", mas sempre compensador por se trabalhar em paz e democracia, como sublinhou.

A cidade de Águeda também não foi esquecida pelo ministro, que tentou "puxar" pelos jovens sobre as características da sua região, particularmente a indústria automóvel: "Um em cada dois automóveis que circulam na Europa têm qualquer coisa feita em Portugal", informou.

A possibilidade de recurso aos tribunais europeus, a integração económica, o acesso aos serviços de saúde, a proteção consular foram outras vantagens destacadas pelo chefe da diplomacia, numa aula de cerca de uma hora, em que também não foi esquecida a moeda única.

"Não se paga o preço de conversão cambial, diminui os custos de transação, uniformiza muitas regras de pagamento, diminui custos das empresas e desaparece o risco cambial", enumerou.

À pergunta "Quem é Juncker"?, referência ao presidente da Comissão Europeia Jean-Claude Juncker "que gosta de despentear na brincadeira do seus pares", fez-se silêncio.

E a oportunidade para se referir às diversas instituições europeias, e definir a UE não como um Estado, federação ou confederação de Estados, antes "uma espécie de organização entre Estados singular", e onde existe em larga escala a "liberdade de circulação".

Os fundos de coesão para as regiões mais pobres também não foram esquecidos. "Quem pagou a vossa autoestrada?", questionou, para comprovar a importância das ajudas comunitárias.

O programa Erasmus, de momento circunscrito às universidades, foi outro tema relevante na intervenção do ministro.

Augusto Santos Silva recordou que o atual Presidente francês -- um dos primeiros líderes a ter participado nesse programa e de momento apenas aplicado nas universidades --, já sugeriu que seja alargado ao ensino secundário, disse que nos 30 anos de programa já participaram quatro milhões de estudantes universitários, e nove milhões caso se incluam os cursos de formação profissional.

Um projeto decisivo na formação da "consciência" europeia, como sugeriu.

Por fim, uma comprovação. Se existe região do mundo onde coexistem liberdade, uma economia pujante e inovadora, e preocupação pela coesão social, essa região chama-se Europa, defendeu.

A iniciativa de hoje insere-se no âmbito da oferta formativa do CIEJD, orientada para as escolas do ensino regular e profissional a nível nacional, e integra um vasto programa de atividades com o objetivo de promover o conhecimento sobre a UE e debater com os cidadãos os principais temas da agenda europeia.

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