Lista Vermelha de Angola tem 30 espécies ameaçadas de extinção e três já extintas

Angola tem 30 espécies ameaçadas de extinção, essencialmente devido aos efeitos da caça furtiva, entre mamíferos, aves, répteis e peixes, e oficialmente há já três espécies extintas.

A informação consta do decreto executivo 252/18, de 13 de julho, assinado pela ministra do Ambiente, Paula Francisco, com a publicação da denominada Lista Vermelha das Espécies de Angola, ao abrigo da Convenção Internacional sobre o Comércio de Espécies da Fauna e Flora Selvagem Ameaças de Extinção (CITES) e da Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB).

O Rinoceronte Preto, a Hiena Castanha e o Pinguim do Cabo são as espécies que, oficialmente, reconhecidas como extintas em Angola, de acordo com a Lista Vermelha (categoria A).

Na categoria B, de espécies ameaçadas de extinção, estão, entre um conjunto de 30, o Leão, a Chita, o Mabeco, a Hiena-Malhada, a Zebra de Montanha, o Gorila, o Búfalo Vermelho, o Manatim Africano, a Palanca Negra Gigante, a Suricata, a Raposa das Areias, o Macaco de Brazza, o Chimpanzé, o Búfalo, a Girafa de Angola, o Babuíno, a Tartaruga de Couro, o Papagaio Cinzento, a Raia Manta, o Tubarão Azul e o Tubarão Tigre.

Caça furtiva da própria espécie ou de animais que consome, pesca ilegal ou destruição dos habitats são as razões que justificam esta classificação, atribuída, segundo as normas internacionais, quando diversos fatores "ameaçam seriamente" a existência, "dificultando a sua reprodução ou regeneração natural, levando as suas populações abaixo de níveis sustentáveis".

Angola tem 162.642 quilómetros quadrados de áreas protegidas, o que corresponde a 13% do território nacional, entre parques nacionais e regionais, reservas naturais integrais e parciais.

O país foi palco, em junho de 2016, das comemorações internacionais do dia do Ambiente e alberga algumas das espécies mais ameaçadas do mundo na lista CITES, desde tartarugas a antílopes, elefantes ou gorilas.

Naquele mesmo ano, o Governo angolano decidiu proibir o habitual comércio de animais selvagens, vivos ou abatidos, ao longo das estradas do país, para conter a caça furtiva que ameaça a sobrevivência de várias espécies.

De acordo com um decreto executivo do Ministério do Ambiente, em vigor desde setembro de 2016, a medida surge face ao "abate indiscriminado de animais" e o "seu comércio nas estradas nacionais e junto de mercados paralelos em todo o território nacional".

"E tendo em conta que a caça furtiva tem assumido níveis elevados de abate de animais, pondo em risco a biodiversidade e o ambiente", lê-se no mesmo documento, que se aplica à posse, comércio, transporte e abate indiscriminado de espécies de animais protegidas pela convenção CITES.

O mesmo decreto define expressamente, através do seu artigo quarto, que passa a ser "proibida a exposição de animais vivos ou abatidos em todos os locais públicos ou privados em todo o território nacional", e que compete aos governos provinciais a tarefa de apreensão destes animais e devolução (dos vivos) à natureza.

A Lista Vermelha de Angola contém ainda, na categoria C, de vulneráveis por ameaça da atividade humana, 18 espécies de mamíferos, como o elefante e o leopardo, 31 de aves, 10 de répteis, como o crocodilo e a jiboia, quatro de peixes, quatro de insetos, seis cetáceos, nomeadamente a Baleia Azul, um crustáceo e 30 vegetais, entre os quais o tradicional Imbondeiro.

A categoria D, de espécies invasoras, integra o Cacusso (peixe), por eliminar as espécies nativas quando fora do seu habitat, e 17 de vegetais.

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