Leiria assinala 20 anos da descoberta do Menino do Lapedo com novas escavações

Os 20 anos da descoberta do Menino do Lapedo são comemorados em Leiria ao longo de 2018 com um programa que inclui congresso internacional, exposição na Croácia e novas escavações arqueológicas no sítio onde a sepultura infantil foi encontrada.

"Assinalar os 20 anos da descoberta do Menino do Lapedo é reconhecer a sua importância e a relevância do Abrigo do Lagar Velho, no Lapedo, no âmbito científico e pedagógico, na área da arqueologia e paleontologia mundiais, mas sobretudo dar-lhes a devida projeção enquanto património cultural de extraordinária relevância nacional e internacional", afirmou à agência Lusa o vereador da Cultura da Câmara de Leiria.

Gonçalo Lopes lembra que o Menino do Lapedo e o Abrigo do Lagar Velho "são tão relevantes para Leiria e para Portugal, que se encontram classificados como Monumento Nacional, a par do Mosteiro da Batalha, dos Jerónimos ou do Castelo de Leiria".

O programa comemorativo explora a importância científica da descoberta, que tem "reconhecida projeção a nível internacional".

Prova disso é o interesse manifestado pelo Museu de Arqueologia de Zagreb, que em dezembro recebe o primeiro momento de uma exposição itinerante sobre o Menino do Lapedo, projeto que envolve o município de Leiria, Ministério da Cultura e Museu Nacional de Arqueologia, entre outros. Essa exposição divulgará também a arte rupestre de Foz Côa.

Igualmente em dezembro, nos dias 15 e 16, o Museu de Leiria recebe um congresso internacional com "os maiores especialistas mundiais nas áreas da evolução humana, arqueologia, antropologia biológica, genética humana e paleontologia", sublinha o vereador. João Zilhão, Erik Trinkaus, Juan Luis Arsuaga, Johannes Krause, Paul Pettitt, Eugénia Cunha ou Susana Carvalho são alguns dos participantes.

"Estamos muito orgulhosos de termos connosco os maiores especialistas na matéria e consideramos que se trata de um programa extraordinário. A aceitação do nosso convite por parte destes especialistas para um congresso internacional deixa clara a importância mundial que se atribui ao enterramento do Lagar Velho", afirma Gonçalo Lopes.

Já este mês arrancam novos trabalhos de campo na zona do Abrigo do Lagar Velho, no Lapedo, freguesia de Santa Eufémia. Decorrem entre 23 de julho e 30 de agosto e envolvem uma equipa internacional, que integra o arqueólogo João Zilhão - que liderou o projeto de escavações há 20 anos - e visam "trazer para a luz do dia mais informação sobre o passado remoto", contemporâneo do Menino do Lapedo.

A nova campanha arqueológica retoma, após os trabalhos que decorreram entre 2000 e 2004, a escavação de uma das mais importantes - para alguns especialistas é mesmo a mais importante - superfície de ocupação do período gravetense (Paleolítico Superior) conhecida em território português e que data de há cerca de 27 mil anos.

Atualmente nas reservas do Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa, o esqueleto do Menino do Lapedo foi descoberto em dezembro de 1998 e lançou novos dados sobre a história da evolução humana. Parte considerável dos vestígios encontrados com o achado está em exposição no Centro de Interpretação do Abrigo do Lagar Velho e no Museu de Leiria.

Para o município de Leiria, após 20 anos da sua descoberta, importa "garantir uma cada vez maior salvaguarda do sítio arqueológico e prosseguir com a investigação, promovendo as escavações, que se retomam após um longo período de interregno", conclui o vereador.

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