Jornadas e festival em Alcoutim contam história do contrabando na fronteira

A contextualização histórica do contrabando na fronteira luso-espanhola, com palestras e testemunhos reais, vai marcar as jornadas de abertura da terceira edição do Festival do Contrabando, a 28 de março, em Alcoutim, disse o presidente da Câmara.

As Jornadas do Contrabando, que este ano vão ser alargadas no programa para um dia, antecedem os três dias do festival, que se realiza de 29 a 31 de março nas localidades fronteiriças de Alcoutim, no Algarve, e Sanlúcar de Guadiana, na província espanhola de Huelva, referiu à Lusa Osvaldo Gonçalves.

Com as palestras e os testemunhos de pessoas que viveram esse período de "dificuldades financeiras", de um e de outro lado da fronteira", e que assistiram ou participaram nessa atividade, que era "de subsistência", a iniciativa visa explicar a "importância que o contrabando teve para a economia" na altura e "como se criou um evento a partir de uma prática ilícita", justificou o autarca.

"Promovemos palestras e trazemos um conjunto de atores vivos desse tempo, que nos fazem perceber as dificuldades que existiam e as razões que levavam as pessoas a arriscar a própria vida na prática do contrabando, porque não havia outra forma de ganhar o pão e com uma ou duas passagens [de mercadoria através do rio Guadiana] ganhavam para alimentar a família", afirmou.

O presidente da Câmara de Alcoutim apontou a importância da dimensão transfronteiriça para o crescimento do Festival do Contrabando, que conta, em todas as iniciativas, com o envolvimento do município vizinho de Sanlúcar de Guadiana e "tem o seu 'ex-líbris'" na ponte pedonal amovível que atravessa o rio Guadiana e liga as duas localidades durante os dias do festival.

O autarca considerou que o crescimento foi alcançado "graças ao apoio do Turismo do Algarve e do 365 Algarve", programa cultural e de animação que visa dinamizar a oferta turística da região durante os meses de época baixa e que financia o evento com cerca de 105 mil euros, quantificou.

Os mais de 20 mil visitantes da última edição do festival, em 2018, mostraram que o parque de restauração era "manifestamente insuficiente" nos períodos de grande afluência de público e, por isso, a Câmara decidiu este ano reforçar a oferta na área da alimentação, realçou Osvaldo Gonçalves.

"Serão assim instaladas várias dezenas de tasquinhas na rua principal de Alcoutim durante os dias do festival", que voltará a contar com "um extenso programa de animação", composto pela "já habitual recriação do período do contrabando com figurantes", mas também com "artes circenses e atividades de rua", exemplificou.

O festival vai contar com "um programa rico, que irá animar um e outro lado da fronteira", num "evento regional, com dimensão transfronteiriça", cujo crescimento "também levou a que o município de Sanlúcar conseguisse obter apoios das instituições regionais espanholas" para a edição deste ano, concluiu o autarca.

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