LPN comemora 70 anos a olhar para o montado, floresta e zonas húmidas

Combater a desertificação, salvar o montado e investir na boa gestão da floresta e nas zonas húmidas são as principais preocupações da Liga para a Proteção da Natureza, que hoje comemora os 70 anos.

A LPN é a mais antiga organização não-governamental de ambiente da Península Ibérica e vai comemorar o aniversário em Castro Verde, onde tem trabalhado nos últimos anos, explicou à Lusa o presidente da associação, Eugénio Sequeira.

Aos 70 anos, disse, a LPN está preocupada com "o que está a acontecer ao montado", que é preciso salvar "uma vez que está a morrer".

O montado, de azinho e de sobro, aumenta a fertilidade dos solos, reduz o risco de erosão e mantém a biodiversidade, além de outras vantagens conhecidas, como a cortiça, salientou.

Segundo Eugénio Sequeira é preciso também que em Portugal haja uma boa gestão e um bom ordenamento da floresta, para que o país não tenha de importar madeira de carvalho por exemplo, e é preciso ainda investir nas zonas húmidas, importantes para as nascentes, para a boa qualidade da água e para a biodiversidade.

Estas preocupações serão debatidas ao longo do próximo ano, porque a LPN vai ter iniciativas durante todos os dias 28 até julho de 2019, como forma de assinalar o aniversário da associação, que foi criada para "salvar a floresta da Arrábida".

Mas hoje, o dia mais importante das comemorações, estará em Castro Verde, onde a LPN se tem dedicado a combater a desertificação e a melhorar as técnicas agrícolas, o rendimento dos agricultores e a sustentabilidade económica. Na zona de Castro Verde "salvamos as aves, salvamos os linces, o abutre-negro, estamos a trabalha na águia-imperial", disse Eugénio Sequeira.

No dia em que se assinala também, nesta data precisamente para homenagear o nascimento da LPN, o Dia Nacional da Conservação da Natureza, Eugénio Sequeira diz que com as comemorações se pretende também promover uma "descentralização das iniciativas, com propostas em todas as regiões de Portugal continental e aprofundar diagnósticos locais e regionais, incluindo alguns locais que fazem também parte da história da LPN".

Dessa história, recorda a associação em comunicado, fica o trabalho académico e científico, pesquisas e inventários, por exemplo o primeiro inventário do património natural que serviu de base para a primeira lei de conservação da natureza, em 1970, e a criação de várias áreas protegidas.

"Ao longo destes 70 anos de história, a LPN tem contribuído para importantes marcos na história do ambiente e da conservação da natureza em Portugal. Mas apesar dos passos importantes que se deram, Portugal ainda enfrenta muitos desafios no ambiente e no desenvolvimento sustentável", diz-se no comunicado.

E nesses desafios a LPN destaca ainda a necessidade de resolver "o subfinanciamento crónico da conservação da natureza", de acompanhar a política conservacionista em meio marinho e de olhar para a compatibilização da agricultura com a conservação da natureza.

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