A fotografia de "Norman Parkinson -- Sempre na Moda" em retrospetiva em Cascais

A exposição retrospetiva de fotografia "Norman Parkinson -- Sempre na Moda" é inaugurada na sexta-feira à noite, no Centro Cultural de Cascais, primeira etapa de uma itinerância internacional da mostra.

O curador da exposição, Terence Pepper, em declarações à agência Lusa, disse que o fotógrafo britânico Norman Parkinson foi "ousado" e experimentou "enquadramentos e cenários" que outros seguiram. "Na época ele marcou a diferença porque estava à frente do seu tempo, na área da moda", disse.

Terence Pepper realçou a "novidade" que as fotografias de Norman Parkinson revelam, ainda nos dias de hoje, a sua preocupação com o "enquadramento" e a forma como "jogava com as cores".

Numa altura em que a fotografia da moda era feita sobretudo em estúdio - e tendo o próprio criado também as suas encenações em ambientes fechados - Norman Parkinson foi, no entanto, "dos primeiros a trazer as modelos para o ar livre, aproveitando o cenário e a luz naturais, fotografando-as em ambiente de quotidiano, demonstrando que a moda fazia parte do dia-a-dia", disse.

Tendo iniciado o percurso na década de 1930, Norman Parkinson apresenta uma longa carreira de quase seis décadas, já que se manteve ativo até à morte, em 1990, atravessando quase toda a história da moda no século XX.

Por isso, visitar esta exposição retrospetiva é também "revisitar a história da fotografia de moda", disse o curador.

Em 1941, Norman Parkinson iniciou uma "assídua, criativa e muito produtiva" relação com revista Vogue, tendo produzido "dezenas de capas", algumas delas patentes na exposição.

"A sua musa foi Wenda Rogerson, com quem se casou em 1947, e que se tornou uma das principais modelos da época"

Terence Pepper realçou que, "tendo Norman Parkinson começado carreira antes da II Guerra Mundial [1939-1945], soube acompanhar as mudanças, reinventando o seu estilo e mantendo-se a par da geração emergente de fotógrafos e modelos".

As suas fotografias, disse Pepper, "elevaram modelos como Jerry Hall e Iman à categoria de 'superstars'", nas décadas de 1970 e 1980.

A exposição, que pode ser vista em Cascais até janeiro próximo, inclui uma fotografia de Jerry Hall com Mick Jagger, a par de "icónicas fotografias dos Beatles, dos Rolling Stones, e de designers de moda como Yves Saint-Laurent, Hubert de Givenchy, Jean Muir e Zandra Rhodes".

Uma das peças da exposição é um cartaz publicitário do Rose's Lime Juice, em que Norman Parkinson surge com Robert Mappelthorpe, "dois universos fotográficos distintos, unidos pelo mesmo gosto numa bebida", comentou o curador.

No museu da Fundação de Serralves, no Porto, está atualmente patente uma exposição dedicada a Robert Mappelthorpe (1946-1989).

Nas salas do Centro Cultural de Cascais, nas Casas do Gandarinha, mostram-se retratos que Parkinson fez do músico David Bowie e dos atores Montgomery Clift, Elizabeth Taylor, Audrey Hepburn, Gregory Peck, Ava Gardner e Katharine Hepburn, entre outros.

A primeira grande exposição retrospetiva de Norman Parkinson foi realizada em 1981, na National Portrait Gallery, em Londres, depois de a rainha Isabel II o ter condecorado com a Ordem do Império Britânico. Na ocasião, o fotógrafo doou à instituição mais de 200 fotografias da sua autoria.

"Norman Parkinson -- Sempre na Moda" é a primeira retrospetiva do fotógrafo, que morreu em 1990, em Singapura, quando se encontrava em trabalho na Malásia.

De Cascais, a exposição seguirá para Espanha, disse Pepper, que foi durante mais de 40 anos curador de Fotografia na National Portrait Gallery, em Londres.

Norman Parkinson, de nome de registo Ronald William Parkinson Smith, iniciou carreira no estúdio londrino Speaight & Son, em Picaddily, na viragem da década de 1920 para a seguinte, e, em 1934, na mesma rua, abriu o seu próprio estúdio, com o fotógrafo Norman Kibbkewhite.

A parceria com Kibbkewhite não durou muito, mas Parkinson decidiu manter o nome profissional que tinham criado, Norman Parkinson.

A primeira exposição de Parkinson no seu estúdio, em 1935, incluiu trabalhos como o retrato da atriz Vivien Leigh.

Trabalhou para múltiplas revistas, como The Bystander, The Sketch e Tatler. O seu trabalho de moda, publicado na edição britânica da Harper's Bazaar, "leva a que seja apontado como o pioneiro no estilo 'action realism'".

Ao longo de seis décadas, centenas de fotografias de Parkinson foram publicadas nas mais reconhecidas revistas de moda, designadamente na Vogue, The Queen e na Town and Country de Hearst.

Paralelamente à exposição em Cascais, é exibido o documentário "Aka Norman Parkinson (Também Conhecido por Norman Parkinson)", coproduzido pela BBC para a série documental Arena, e pelo Norman Parkinson Archive, detentor do espólio do fotógrafo.

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