Cátedra da UNESCO Vida na Terra visa a preservação do património natural africano

Porto, 24 abr 2019 (Lusa) - A cátedra da UNESCO Vida na Terra, lançada hoje, visa preservar a biodiversidade e o património natural africano, prevendo a colaboração entre Portugal e seis países da África Austral, afirmou o presidente da Comissão Nacional da UNESCO.

"Estou certo de que esta Cátedra da UNESCO, a Cátedra da Vida na Terra, constituirá um importante instrumento no reforço das colaborações", disse hoje o presidente da Comissão Nacional da UNESCO, José Filipe Mendes Moraes Cabral, durante o lançamento da 13.ª cátedra portuguesa.

José Filipe Mendes Moraes Cabral, que falava durante a Conferência Internacional do Parque, iniciativa que arrancou na terça-feira e prossegue hoje na Fundação de Serralves, no Porto, realçou que em causa estão "os desafios" relacionados com a preservação da biodiversidade e do desenvolvimento sustentável, mas também "a importância da cooperação" entre as universidades e os centros de investigação.

"Esta conferência, desde ontem, ilustra de uma forma eloquente este propósito e a possibilidade de caminharmos juntos para o estreitamento da colaboração entre os nossos investigadores em áreas tão decisivas para o desenvolvimento coletivo", frisou.

A cátedra da UNESCO Vida na Terra é a primeira concedida à Universidade do Porto e será coordenada pelo Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO-InBIO), que vai estabelecer uma rede "estratégica" com instituições da África do Sul, Angola, Moçambique, Namíbia, Zimbabué e Cabo Verde.

Durante o lançamento da cátedra, o reitor da Universidade do Porto, António Sousa Pereira, realçou a "grandeza e riqueza" dos ecossistemas africanos, lembrando, contudo, as suas "vulnerabilidades perante o desenvolvimento económico".

"Importa evitar que em África se cometam os mesmos erros ambientais que se cometeram nas outras regiões do mundo, designadamente o crescimento urbano desordenado, a pressão humana sobre habitats frágeis, a exploração excessiva dos recursos naturais, o abandono de terrenos agrícolas, a utilização de sistemas intensivos de produção agroalimentar, a propagação de espécies exóticas invasoras ou a emissão de gases com efeitos de estufa", apontou.

Por sua vez, o diretor do CIBIO-InBIO, Nuno Ferrand, destacou a construção de um futuro Museu na antiga cidade de Sá da Bandeira, a atual capital da província da Huíla, em Angola, e o lançamento de um jornal científico online de língua portuguesa como as principais intervenções.

Além destas duas ações, está também prevista a constituição de uma rede de investigação através dos TwinLabs e de programas de formação avançada na University of Cape Town, na África do Sul, no Edward O. Wilson Biodiversity Laboratory, no Parque Nacional da Gorongosa, em Moçambique e na A. P. Leventis Ornithological Research Institute, na Nigéria.

Neste segundo dia da Conferência Internacional do Parque, marcado pelo lançamento da cátedra UNESCO, estiveram também presentes o secretário de Estado do Ensino Superior, Ciência e Tecnologia, João Sobrinho Teixeira; o secretário de Estado do Ambiente de Angola, Joaquim Lourenço Manuel, e a vice-governadora da Huíla, Maria João Chipalavela.

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