Projeto preliminar do metrobus do Porto prevê interligação com linhas da STCP

O metrobus deverá funcionar como uma linha principal, alimentada pela rede da STPC.

O projeto preliminar do metrobus do Porto prevê que o novo meio de transporte funcione como uma linha principal alimentada por "linhas complementares" da STCP, incluindo na Avenida Marechal Gomes da Costa, mas não terá uma via dedicada.

"Admite-se que o BRT [bus rapid transit, vulgo metrobus] funcionará como uma linha principal com ramificações, isto é, uma linha principal que será alimentada por linhas complementares, nomeadamente a rede da STCP", a Sociedade de Transportes Coletivos do Porto, pode ler-se nos documentos do concurso consultados pela Lusa.

O documento em causa, "programa preliminar" do projeto de execução incluído no concurso público de conceção e construção da linha Boavista - Império, refere que, "ao longo do traçado, nas avenidas da Boavista e do Marechal Gomes da Costa, algumas das estações do BRT coincidem com paragens atuais da STCP".

Entretanto, o presidente da Câmara do Porto, o independente Rui Moreira, referiu em 22 de fevereiro que a empresa intermunicipal iria operar a linha, "porque é esse o entendimento entre o Ministério do Ambiente, a Metro do Porto, a STCP, e as Câmaras".

Já na última sessão extraordinária da Assembleia Municipal, na segunda-feira, o presidente da Câmara reiterou o desejo de que "seja a STCP a operar esses autocarros, porque são autocarros a hidrogénio", classificou.

Segundo Rui Moreira, "se fosse o Estado" a mandar na empresa "era a Metro do Porto que ia decidir quem é que operava os autocarros" do serviço BRT.

O autarca disse também que o BRT vai estar na Avenida Marechal Gomes da Costa "sem ser em via dedicada, para que seja claro", indo "conviver com os automóveis".

A Lusa questionou a Câmara do Porto no sentido de perceber se a ausência de via dedicada se estende ao resto do trajeto do 'metrobus', ou se apenas diz respeito à Avenida Marechal Gomes da Costa, mas fonte oficial da autarquia remeteu para a Metro do Porto, dona da obra, que para já não se pronunciou sobre o assunto.

O programa preliminar do projeto de execução da linha de BRT Boavista - Império prevê, no entanto, que as vias do BRT sejam "na avenida do Marechal Gomes da Costa concretizadas lateralmente ao espaço verde arborizado, existente na placa central desta avenida, com a adaptação de uma das faixas rodoviárias existentes para utilização do BRT".

"As duas vias unir-se-ão na nova rotunda do extremo norte, passando a um corredor central bidirecional que se desenvolverá ao longo da avenida da Boavista", de acordo com o programa preliminar.

Em todo o projeto do BRT Boavista - Império "admite-se como necessária a redução da oferta de estacionamento de superfície, pontuais reduções na largura dos passeios, redução da capacidade para o tráfego banalizado, redução dos movimentos de atravessamento na Avenida da Boavista e na Avenida Marechal Gomes da Costa, bem como a alteração dos acessos ao parque de estacionamento da Casa da Música".

No entanto, como o concurso público previa conceção e construção, o programa preliminar não tem caráter definitivo e podem existir alterações.

No dia 23 de março, data em que foi assinado o contrato de conceção do projeto, foi anunciado que o percurso deste novo meio de transporte será também alargado a Matosinhos, chegando à Rotunda da Anémona.

A construção do 'metrobus' no Porto vai arrancar em junho (devendo terminar no final de 2023) e foi adjudicada ao consórcio das empresas Alberto Couto Alves e Alves Ribeiro por 24,9 milhões de euros, abaixo do preço base de 45 milhões de euros, o que permitiu a extensão a Matosinhos.

No total, o projeto inclui as oito estações previstas inicialmente (Casa da Música, Bom Sucesso, Guerra Junqueiro, Bessa, Pinheiro Manso, Serralves, João de Barros e Império) e as cinco entretanto anunciadas (Antunes Guimarães, Garcia de Orta, Nevogilde, Castelo do Queijo e Praça Cidade do Salvador [Anémona]).

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