A Coreia do Norte disparou ontem o seu mais avançado míssil balístico intercontinental (ICBM) com potencial para atingir os Estados Unidos, um dia depois do lançamento de um míssil de menor alcance, ampliando um número recorde de testes de armas este ano levados a cabo por Pyongyang.."As nossas forças armadas detetaram o que se crê ser um míssil balístico de longo alcance lançado da zona de Pyongyang para o mar do Leste [nome dado ao mar do Japão nas duas Coreias] por volta das 8.24" (23.24 de domingo em Lisboa), declarou o Estado-Maior Conjunto sul-coreano em comunicado. Também o Ministério da Defesa japonês confirmou a hora do lançamento e acrescentou que o míssil aterrou por volta das 9.37 locais (00.37 em Lisboa) fora da zona económica especial do país, 250 quilómetros a oeste da ilha de Okushiri, perto de Hokkaido.."O míssil balístico da classe ICBM lançado desta vez, se calculado com base na trajetória, dependendo do peso da ogiva, poderia ter um alcance de voo de mais de 15 000 quilómetros", afirmou Shingo Miyake, vice-ministro da Defesa. "Todo o território americano estaria dentro de sua capacidade de alcance", acrescentou..A duração do voo coincide com os anteriores lançamentos deste tipo de míssil por Pyongyang e com a trajetória curva utilizada para testar este tipo de míssil. Este lançamento marca o 27.º teste de armamento registado pelo regime de Kim Jong-un só este ano, cinco dos quais com ICBM..O Presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk-yeol, pediu uma resposta imediata, em coordenação com Estados Unidos e Japão, a este lançamento de um míssil balístico intercontinental realizado pela Coreia do Norte, através da utilização do recém-criado sistema de troca de informações sobre mísseis estabelecido como resultado de uma reunião trilateral realizada em agosto nos Estados Unidos, em que participaram o chefe de Estado sul-coreano, o Presidente dos EUA, Joe Biden, e o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida.."Temos que utilizar o sistema de troca de informações em tempo real e defender proativamente que a Coreia do Sul, os Estados Unidos e o Japão respondam de forma coordenada", disse Yoon, sublinhando que as medidas devem ser "imediatas e esmagadoras" para enfrentar as "provocações" de Pyongyang..Também o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, descreveu o lançamento como uma "ameaça à paz e estabilidade", lembrando que violava as resoluções do Conselho de Segurança da ONU..No sábado, no âmbito da segunda reunião do chamado Grupo Consultivo Nuclear, Coreia do Sul e Estados Unidos já haviam concordaram estabelecer uma estratégia nuclear conjunta até meados do próximo ano para fortalecer a estratégia de dissuasão contra a Coreia do Norte. Na declaração conjunta deste encontro, Washington reiterou a sua advertência à Coreia do Norte, garantindo que qualquer ataque nuclear contra o país resultará "no fim do regime de Kim", mas também que um ataque nuclear de Pyongyang contra Seul "receberá uma resposta rápida, esmagadora e decisiva"..Já o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, garantiu ontem o "firme apoio" do país a Pyongyang, recordando que "diante da turbulência internacional, a China e [a Coreia do Norte] sempre se apoiaram firmemente e confiaram uma na outra", disse Wang Yi, durante uma reunião em Pequim com o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros norte-coreano, Pak Myong Ho..com agências