Papa Leão XIV condena “pandemia das armas”
FABIO FRUSTACI/EPA

Papa Leão XIV condena “pandemia das armas”

Chefe da Igreja Católica voltou a apelar a um cessar-fogo “imediato” na Ucrânia, com a intervenção da comunidade internacional, evocando as vítimas de bombardeamentos russos, nos últimos dias.
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O Papa Leão XIV criticou este domingo, 31 de agosto, no Vaticano, a “pandemia das armas, grandes e pequenas”, enquanto rezava pelas vítimas do recente tiroteio numa escola católica nos Estados Unidos.

Dirigindo-se a milhares de peregrinos presentes na Praça de São Pedro, para a habitual oração do Angelus, o primeiro Papa norte-americano da história falou em inglês ao apelar ao fim da “lógica das armas” e à prevalência de uma cultura de fraternidade.

“[Fazemos] as nossas orações pelas vítimas do trágico tiroteio durante uma missa escolar no estado norte-americano de Minnesota”, disse Leão XIV, acrescentando: “Mantemos nas nossas orações as inúmeras crianças mortas e feridas todos os dias em todo o mundo. Imploremos a Deus que pare a pandemia das armas, grandes e pequenas, que infeta o nosso mundo”.

Papa Leão XIV condena “pandemia das armas”
Crianças de 8 e 10 anos morreram e 17 ficaram feridas no tiroteio em escola católica dos EUA. Atirador morreu

Duas crianças foram mortas e 20 pessoas ficaram feridas durante o ataque a tiros na Igreja da Anunciação, em Minneapolis, enquanto centenas de alunos da vizinha Escola Católica da Anunciação e outras pessoas se reuniam para uma missa. O atirador disparou 116 tiros de espingarda através dos vitrais da igreja e, mais tarde, suicidou-se.

Na ocasião, Leão XIV voltou também a apelar a um cessar-fogo “imediato” na Ucrânia, com a intervenção da comunidade internacional, evocando as vítimas de bombardeamentos russos, nos últimos dias.

“Reitero com veemência o meu apelo urgente por um cessar-fogo imediato e por um compromisso sério com o diálogo. É tempo de os responsáveis renunciarem à lógica das armas e enveredarem pelo caminho da negociação e da paz, com o apoio da comunidade internacional”, disse, acrescentando que “a voz das armas deve calar-se, enquanto a voz da fraternidade e da justiça deve elevar-se”.

Perante os peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, o pontífice, citado pela agência Ecclesia, referiu que, “infelizmente, a guerra na Ucrânia continua a semear morte e destruição”.

“Também nestes dias, os bombardeamentos atingiram várias cidades, incluindo a capital Kiev, causando numerosas vítimas. Renovo a minha proximidade ao povo ucraniano e a todas as famílias feridas”, acrescentou.

Depois, o Papa abordou a questão dos migrantes que procuram atravessar o mar para alcançar melhores condições de vida.

Leão XIV afirmou que seu coração “está ferido” pelas dezenas de mortos e feridos no naufrágio de um barco que transportava mais de uma centena de pessoas na costa da Mauritânia, uma “tragédia mortal que se repete todos os dias em todo o mundo”.

“Os nossos corações estão feridos pelas mais de 50 pessoas mortas e cerca de 100 ainda desaparecidas no naufrágio de um barco carregado de migrantes que tentavam a viagem de 1.100 quilómetros até às Ilhas Canárias e que afundou na costa atlântica da Mauritânia”, disse.

Na sua intervenção de hoje, o Papa Leão XIV lamentou também que, por vezes a vida seja reduzida “a uma competição” e exortou a Igreja a “ser para todos um laboratório de humildade”.

É necessário “repensar como muitas vezes reduzimos a vida a uma competição, como perdemos a compostura para obter algum reconhecimento, como nos comparamos inutilmente uns com os outros”, disse o pontífice diante de milhares de fiéis.

O Papa destacou a importância de “uma cultura do encontro, que se nutre de gestos que aproximam”, algo que “nem sempre é fácil” no mundo de hoje, “não tanto na família, mas nas ocasiões em que é importante ‘ser notado’. Então, estar juntos transforma-se numa competição”, afirmou.

“Parar para refletir”, disse o Papa, “é uma experiência de liberdade”.

“Peçamos hoje que a Igreja seja para todos uma oficina de humildade, aquela casa onde todos são bem-vindos”, acrescentou o pontífice.

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