OMS apela a reforço de cuidados após cão apanhar Monkeypox

Número de casos a nível mundial aumentou 20% na última semana

A Organização Mundial da Saúde pediu esta quarta-feira que as pessoas infectadas com Monkeypox evitem expor animais ao vírus após um primeiro caso relatado de transmissão de humano para cão - entre dois homens e o seu galgo italiano, em Paris -, publicado na revista médica The Lancet.

"Este é o primeiro caso relatado de transmissão de humano para animal... e acreditamos que é o primeiro caso de um canino infetado", disse Rosamund Lewis, líder técnica da OMS para a Monkeypox.

Os especialistas, disse Lewis, estavam cientes do risco teórico de que esse salto pudesse acontecer, e as agências de saúde pública já aconselhavam aqueles que sofrem da doença a "isolarem-se dos seus animais de estimação".

Além disso, acrescentou que "a gestão de resíduos é fundamental" para diminuir o risco de contaminar roedores e outros animais fora da casa. É vital, disse, que as pessoas "tenham informações sobre como proteger os seus animais de estimação, bem como como gerir os seus resíduos para que os animais em geral não sejam expostos ao vírus da Monkeypox".

Quando os vírus ultrapassam a barreira das espécies, muitas vezes desperta a preocupação de que possam sofrer mutações numa direção mais perigosa.

Lewis enfatizou que até agora não havia relatos de que isso estaria a acontecer com a Monkeypox. Mas, reconheceu, "certamente assim que o vírus se move para um ambiente diferente, numa população diferente, há obviamente uma possibilidade de que ele se desenvolva de maneira diferente e sofra uma mutação".

A principal preocupação gira em torno dos animais fora de casa. "A situação mais perigosa é onde um vírus se pode mover para uma população de pequenos mamíferos com alta densidade de animais", disse o diretor de emergências da OMS, Michael Ryan. "É através do processo de um animal infetar o próximo e o próximo e o próximo que se vê a rápida evolução do vírus".

Ele enfatizou, porém, que havia poucos motivos para preocupação em relação aos animais domésticos.

"Não espero que o vírus evolua mais rapidamente num único cão do que num humano", disse, acrescentando que, embora "precisemos de permanecer vigilantes... animais de estimação não são um risco".

Número de contágios aumenta 20% em todo o mundo

Entretanto, o número de contágios pelo vírus Monkeypox em todo o mundo aumentou 20% na última semana, em que foram contabilizados 7.500 novos casos, anunciou hoje a Organização Mundial de Saúde (OMS).

De acordo com o balanço feito pela OMS em conferência de imprensa, o total de contágios desde o início do surto ultrapassa os 35 mil e a doença provocou 12 mortes.

Com casos registados em 92 países, o vírus circula quase exclusivamente na Europa e na América e quase todos os contágios são identificados em homens que praticam sexo com outros homens, mas a OMS sublinhou a importância de se protegerem do vírus todos aqueles que vivam com pessoas infetadas.

A Monkeypox recebeu esse nome porque o vírus foi originalmente identificado em macacos mantidos para pesquisa na Dinamarca em 1958, mas a doença é encontrada em vários animais e mais frequentemente em roedores.

A doença foi descoberta pela primeira vez em humanos em 1970 na República Democrática do Congo, com a disseminação desde então limitada principalmente a alguns países da África Ocidental e Central.

Mas em maio, os casos da doença, que causa febre, dores musculares e grandes lesões na pele semelhantes a furúnculos, começaram a espalhar-se rapidamente pelo mundo, principalmente entre homens que fazem sexo com homens.

Em todo o mundo, mais de 35.000 casos foram confirmados desde o início do ano em 92 países e 12 pessoas morreram, segundo a OMS, que classificou o surto como uma emergência de saúde global.

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