Oito dias, três homicídios em massa e 25 mortos na Califórnia. Biden apela a nova lei de armas

Sete pessoas morreram ontem numa quinta em Half Moon Bay num tiroteio. Suspeito de 66 anos foi detido.

Desde o início do ano já foram registados nos EUA 39 "tiroteios em massa" (em que pelo menos quatro pessoas ficam feridas), com seis casos em que houve pelo menos quatro mortes. Estes são considerados "homicídios em massa" na terminologia adotada pelo Arquivo de Violência com Armas (que mantém uma lista atualizada destes eventos) e os últimos três foram registados na Califórnia, no espaço de oito dias, causando 25 mortos. Em 2023, já morreram 69 pessoas em tiroteios em massa, com o presidente norte-americano, Joe Biden, a insistir na necessidade de travar a venda de armas de assalto.

O último destes homicídios em massa ocorreu ontem numa quinta e num outro negócio em Half Moon Bay. Um trabalhador agrícola, de 67 anos, identificado como Chunli Zhao, matou sete pessoas (seis homens e uma mulher, de ascendência latina e asiática) antes de ser detido pela polícia. Os motivos do ataque continuam por apurar, sabendo-se apenas que o suspeito trabalhou nas estufas da quinta, pelo que o caso está a ser tratado como uma disputa laboral.

A nova tragédia surgiu dois dias depois de um outro ataque a um estúdio de dança em Monterey Park, na área de Los Angeles, uma zona onde vivem muitos americanos de origem asiática. Huu Can Tran, de 72 anos, disparou 42 tiros contra a multidão que festejava o Ano Novo Lunar, causando 12 mortos e nove feridos. O suspeito, que era um frequentador assíduo do estúdio, acabaria por se suicidar quando ia ser detido pelas autoridades. As razões para este ataque também continuam por apurar, sendo que são raros os casos de tiroteios perpetrados por pessoas com mais de 70 anos.

O primeiro homicídio em massa do ano na Califórnia tinha sido registado no dia 16 de janeiro, numa casa em Goshen. Uma mãe adolescente de 16 anos e o bebé estão entre as seis vítimas mortais do ataque, que as autoridades suspeitam ter estado relacionado com gangues ou com cartéis. Todas as vítimas eram da mesma família e o atirador não foi ainda identificado.

Estas tragédias ocorreram num dos estados que tem as leis de armas mais restritas e que tem a menor mortalidade devido a este tipo de violência - 8,5 mortes com armas por cem mil pessoas em 2020, comparado com 13,7 por cem mil a nível nacional. Outro dado, citado pelo The New York Times, indica que os californianos têm 25% menos de probabilidade de morrer num tiroteio que habitantes de outro estado. Daí que estes casos estejam a chocar.

Depois da última tragédia, Biden voltou a pedir ao Congresso para restringir a compra de espingardas de assalto. "Sabemos que a tragédia da violência armada nos EUA exige medidas mais contundentes. Mais uma vez, peço ao Congresso que aja com rapidez e tome providências para manter a segurança das comunidades, escolas, locais de trabalho e lares americanos", indicou Biden num comunicado.

A lei que proíbe as espingardas de assalto expirou em 2004 e não foi renovada por falta de acordo no Congresso. Senadores democratas apresentaram na segunda-feira de novo duas propostas de lei, uma para banir estas armas e outra para fixar em 21 anos a idade mínima legal para as comprar.

susana.f.salvador@dn.pt

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