O "general de ferro" Zaluzhny, um novo ícone ucraniano

Popularidade do comandante-chefe do exército ucraniano rivaliza com a do próprio presidente Volodymyr Zelensky

O general Valery Zaluzhny, desconhecido para os ucranianos até ser nomeado comandante em chefe no ano passado, virou um ícone da resistência contra a invasão russa.

As crianças usam o nome de Zaluzhny nas suas brincadeiras e a edição ucraniana da revista Vogue publicou um artigo sobre ele, chamando-o de "figura lendária". No passado mês de julho, quando o general completou 49 anos, milhares de ucranianos usaram as redes sociais para felicitar o comandante militar.

"Graças ao comandante em chefe Zaluzhny, a nossa confiança regressou", escreveu no Facebook o ex-ministro dos Transportes Volodymyr Omelian.

Os ucranianos atribuem a Zaluzhny o bloqueio ao plano inicial russo de tomar Kiev rapidamente, após o início da ofensiva em 24 de fevereiro. A feroz resistência das forças ucranianas sob comando de Zaluzhny obrigou Moscovo a mudar o foco dos ataques para o leste e sul do país.

A revista Time incluiu-o na lista de 100 pessoas mais influentes do mundo, ao lado do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Zaluzhny "emergiu como a mente militar que seu país precisava", afirmou o comandante do Estado-Maior dos EUA, general Mark Milley, citado no perfil da revista. O texto destaca que ações do general "serão lembradas na História".

Nova elite militar

Embora não tenha concedido entrevistas desde o início da guerra, a imprensa ucraniana na poupa elogios a quem chama de "general de ferro".

Os planos russos de uma "Blitzkrieg, uma mudança de poder e na orientação geopolítica da Ucrânia, foram arruinados", escreveu Zaluzhny no Facebook duas semanas após o início da invasão.
"Não importa o quão difícil seja para nós, mas (esta guerra) certamente não será uma vergonha para nós", completou.

Anatoly Oktysiuk, analista do centro de estudos ucraniano Democracy House, afirma que Zaluzhny é "competente e não tem a velha mentalidade soviética", que já dominou o Estado-Maior ucraniano.
"Ele é um patriota, não é corrupto, e foi bem treinado, inclusive no Ocidente", acrescenta.

Zaluzhny nasceu em 8 de julho de 1973 numa base militar soviética em Novograd-Volynsky, noroeste da Ucrânia.

Quando os separatistas pró-Rússia começaram a conquistar território no leste da Ucrânia em 2014, ele comandou as operações militares de resposta.

Depois de ser designado comandante militar para o norte do país em 2019, ele foi promovido a comandante em chefe das Forças Armadas ucranianas em julho de 2021 por Zelensky.

Ciúme político?

O general priorizou as reformas no exército para alcançar os padrões da aliança militar da NATO, à qual a Ucrânia deseja aderir, apesar da oposição da Rússia.

Alguns meses depois da sua nomeação, Zaluzhny fez um alerta sobre "a ameaça de uma grande agressão" de Moscovo, numa das poucas entrevistas que concedeu. "Temos que nos preparar para isto", avisava Zaluzhny, que tem duas filhas, incluindo uma que também é militar.

Como parte de uma geração jovem de oficiais com experiência de combate contra os separatistas, pediu ao comando militar da Ucrânia para "usar todos os meios para preservar a vida e a saúde" dos soldados.

De acordo com parte da imprensa, a popularidade do comandante provocou ciúmes na equipa mais próxima de Zelensky, apesar de Zaluzhny nunca ter apresentado indícios de qualquer ambição política e de raramente discursar em público.

Em julho, Zelensky criticou pela primeira vez uma decisão do exército, que havia anunciado restrições aos deslocamentos de reservistas entre várias regiões do país. Mas imediatamente atenuou suas palavras ao afirmar que era "um detalhe, nada importante". "Não há nenhum mal-entendido entre mim e o comando do exército", esclareceu o presidente.

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