Mossad suspeita de ciberataque a central iraniana

Corte de energia da central de Natanz, "terrorismo nuclear" segundo Teerão, coincide com a visita do secretário da Defesa dos EUA a Jerusalém.

Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, exprimiu há dias a total oposição a que os Estados Unidos regressem ao acordo internacional que limita o uso da energia nuclear no Irão. Segundo fontes citadas pelos media israelitas, deve-se aos serviços secretos daquele país, a Mossad, a falha de energia que obrigou à paragem do enriquecimento de urânio na central iraniana de Natanz - um dia depois de Teerão ter anunciado a entrada em funcionamento de novas centrifugadoras, em arrepio ao acordo de 2015, e no primeiro dia da visita do secretário da Defesa norte-americano, Lloyd Austin, a Israel.

Depois de um porta-voz da Organização de Energia Atómica do Irão (OEAI) ter assumido a falha como um acidente que atingira a distribuição elétrica na central de Natanz, perto de Teerão, o deputado Malek Chariati considerou o sucedido, "num contexto em que o Irão está a tentar forçar o Ocidente a levantar as sanções, altamente suspeito de sabotagem ou infiltração". Mais tarde, o diretor da OEAI, Ali Akbar Salehi, confirmou que a perturbação de energia, que não causou feridos nem fuga radioativa, foi um ato deliberado de sabotagem, chamando-lhe "terrorismo nuclear", embora não tenha apontado o dedo a país ou organização em concreto.

O ciberataque não foi confirmado pelas autoridades israelitas, como é seu timbre, mas Netanyahu, em declarações em homenagem às forças de segurança, disse que a "luta contra o Irão e aliados e contra o armamento iraniano é uma missão gigantesca" e que "a situação que existe hoje nada diz sobre a situação que existirá amanhã". Na terça-feira, um cargueiro iraniano suspeito de servir de base dos Guardas da Revolução ao largo do Iémen foi atingido por uma explosão.

O ataque a Natanz ocorre dias depois do início de conversações num hotel em Viena entre diplomatas e peritos dos países signatários do acordo, com o objetivo de levantar as sanções ao Irão e levar este país a cumprir as limitações. Aos europeus cabe o papel de intermediários dos norte-americanos, hospedados num hotel vizinho.

Natanz foi alvo de sabotagem no passado. Sofreu uma explosão na fábrica de montagem de centrifugadoras em julho, tendo as autoridades iranianas alegado, mais tarde, que foi alvo de sabotagem. O Irão está a construir essa fábrica no interior de uma montanha próxima.

O vírus informático Stuxnet, descoberto em 2010, que se acredita ser uma criação conjunta de Israel e EUA sabotou as centrifugadoras em Natanz.

O Irão também culpou Israel pela morte, em novembro, de um cientista que iniciou o programa nuclear militar do país décadas antes.

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