Maior navio militar iraniano afunda-se após incêndio sem explicação

O 'Kharg' esteve a arder 20 horas e Teerão alegou um incêndio "num dos sistemas". Não é o primeiro problema a afetar a frota.

O maior navio militar iraniano afundou-se ontem no Golfo de Omã, depois de ter ficado mais de 20 horas em chamas, com Teerão a dizer apenas que houve um incêndio "num dos sistemas" sem dar mais pormenores sobre o que aconteceu. Uma investigação estará em curso. O Kharg, que media mais de 200 metros e tinha mais de 40 anos, estava numa "missão de treino" em águas iranianas e todos os 400 cadetes e tripulantes a bordo foram retirados, com 33 a sofrer apenas ferimentos ligeiros.

Este é apenas o último problema a afetar a frota iraniana, tendo no ano passado um navio de guerra sido atingido por fogo amigo durante exercícios ao largo de Jask, causando a morte de 19 marinheiros a bordo. O Konarak, um navio de apoio logístico, foi atingido depois de ter levado um alvo para o seu local de destino e depois não ter criado distância suficiente para ele, indicou a televisão estatal nessa altura. Mas também tem havido ataques, com suspeitas de que Israel poderá ter estado por detrás.

Em abril, Teerão disse que o cargueiro Saviz - que se acredita servir como base para os Guardas da Revolução e que estava há anos ancorado no Mar Vermelho ao largo do Iémen - tinha sido atingido por uma "explosão". Suspeita-se que terá sido alvo de um ataque de Israel. A ação teria sido uma "retaliação", depois de ataques iranianos a navios israelitas, segundo o The New York Times, numa altura de maior tensão entre os dois países inimigos. Desde 2019 que uma série de explosões misteriosas atingiram navios comerciais no Golfo de Omã, com os EUA a acusarem Teerão de estar por detrás desses incidente s - o Irão negou qualquer responsabilidade.

O incêndio do Kharg levanta questões, em especial por causa do momento em que ocorre. Desde abril que estão a decorrer, em Viena, negociações para dar um novo fôlego ao acordo nuclear iraniano. O Irão tem estado a discutir diretamente com o Reino Unido, a França, a Alemanha, a Rússia e a China, sendo que os EUA - que abandonaram o acordo durante a presidência de Donald Trump - estão a participar indiretamente. O objetivo é chegar a um novo entendimento que ponha um travão no programa nuclear iraniano. Uma situação que não agrada a Israel, que sempre foi contra o acordo.

O Kharg era um navio de fabrico britânico, tendo sido encomendado em 1976, antes da revolução islâmica que depôs a monarquia pró-ocidental do xá Reza Pahveli em 1979. Só seria entregue aos militares iranianos em 1984, após longas negociações. A idade do material de guerra tem resultado noutros incidentes. Ainda na terça-feira dois pilotos morreram, num incidente em terra, por causa de um defeito um caça F-5 iraniano, também anterior à revolução. Alegadamente houve um problema no ejetor dos bancos. Esse caso também está a ser investigado.

Ao final da tarde de ontem, um outro incêndio irrompeu numa refinaria de petróleo iraniana, não tendo de imediato sido indicado a existência de mortos ou feridos. Teerão rejeitou logo a possibilidade de sabotagem e explicou que foi uma fuga no oleoduto. Ainda assim haverá também uma investigação.

susana.f.salvador@dn.pt

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