Lava do vulcão destrói 650 casas no caminho até ao mar

A ilha de La Palma nunca mais será a mesma, admitiu o presidente das Canárias. Depois de dez dias em erupção, a lava do vulcão Cumbre Vieja chegou ao mar.

O amanhecer em La Palma foi diferente esta quarta-feira, depois de a lava do vulcão Cumbre Vieja ter chegado ao mar na noite anterior. Aquilo que era difícil de ver devido à escuridão, tornou-se agora bem visível. E, admite o presidente das Canárias, a ilha nunca mais será a mesma.

"Estamos a falar de 'rios' com 600 metros de largura. Em toda esta zona só resta lava. A paisagem será outra. A ilha de La Palma, toda essa zona, será uma outra ilha", disse Ángel Víctor Torres, em entrevista à rádio COPE.

O governante apontou para cerca de 600 casas destruídas desde a erupção do vulcão, a 19 de setembro. O Copernicus, Programa de Observação da Terra da União Europeia, estimou esse número em 650, sendo que, segundo o El País, essa estimativa teve por base uma imagem recolhida na terça-feira de manhã, o que significa que os estragos podem ser muito maiores tendo em conta o avanço da lava nas últimas 24 horas.

A lava tem estado a cair no mar a partir de uma altura de 100 metros, por um penhasco situado nas proximidades da praia El Guirre, em Tazacorte. Durante a noite, não era possível ver as colunas de vapor de água que supostamente se deveriam formar em resultado do choque térmico da lava com a água do mar. Mas constatava-se um fumo negro, que fazia parte do processo produzido pela queda da lava no mar.

A luz da manhã já permitiu ver melhor o cenário e constatar o aparecimento de um delta.

Alguns especialistas tinham alertado que a entrada do magma incandescente no mar poderia libertar nuvens de gás tóxico no ar, o que poderia irritar a pele, os olhos e as vias respiratórias. No entanto, o vento da noite levou o gás em direção ao mar, reduzindo esse risco, segundo informou Rubén Fernández, do Plano de Emergências Volcânicas das Canárias.

"Temos um vento forte na área que está a soprar a nuvem de gases em direção ao mar, pelo que o risco para a população local é muito menor" do que inicialmente temido, disse este responsável a uma rádio pública espanhola.

Esta terça-feira, Governo espanhol declarou a ilha zona de catástrofe e aprovou as primeiras ajudas, 10,5 milhões de euros para comprar 107 casas, móveis e eletrodomésticos para as vítimas.

O valor faz parte das ajudas de emergência anteriores à fase de reconstrução da ilha, que consistirá na reparação e restauro de danos em habitações, infraestruturas rodoviárias hidráulicas, explorações pecuárias, campos de cultivo, áreas florestais e equipamentos públicos.

O primeiro-ministro, Pedro Sánchez, anunciou que vai regressar à ilha.

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