Jornalista russo acusado de traição denuncia "cinismo" da Justiça da Rússia

Ivan Safronov foi preso em julho de 2020 após ter enfrentando as pressões do regime de Moscovo contra o jornalismo independente, que se agravaram após o início da invasão da Ucrânia.

Ivan Safronov, conhecido jornalista de investigação russo, declarou-se esta segunda-feira inocente e denunciou o "extremo cinismo" da Justiça da Rússia no primeiro dia do processo por alta traição que o pode condenar a 20 anos de prisão.

De acordo com a Agência France Presse, Safronov, 31 anos, é considerado um dos melhores jornalistas da Rússia sobre questões de Defesa.

Ivan Safronov foi preso em julho de 2020 após ter enfrentando as pressões do regime de Moscovo contra o jornalismo independente, que se agravaram após o início da invasão da Ucrânia.

O caso Safronov tem sido denunciado e criticado pelos camaradas de profissão como "vingança" pelos artigos que provocaram indignação além de notícias que embaraçaram as Forças Armadas da Rússia.

Acusado de "traição contra o Estado" e de estar a soldo de "uma potência estrangeira", Safronov foi preso, tendo o julgamento começado esta segunda-feira num tribunal de Moscovo. Através da rede social Telegram, o advogado de defesa Ivan Pavlov publicou esta segunda-feira uma longa carta do jornalista em que rejeita todas as acusações, afirmando que está a ser vítima de uma "paródia" da Justiça da Rússia.

"De facto, recebi de fontes abertas informações relacionadas com as minhas áreas de interesse (profissional): o jornalismo militar", escreve ainda Safronov acrescentando que os "conteúdos jornalísticos" que publicou não continham uma "única palavra" ou fonte secretas.

Durante a investigação, Ivan Safronov explica que foi proibido de usar a internet para mostrar aos investigadores o conteúdo dos artigos que publicou, acrescentando que os advogados de defesa que o visitaram mensalmente na prisão - geralmente - nem sequer tinham autorização para usarem papel e caneta para tomarem notas.

"Isto revela um extremo cinismo e é um crime contra a própria Justiça: acusar um homem de um crime punível com 20 anos de prisão sem lhe dar a possibilidade de se defender", denuncia Safronov.

O acusado trabalhou em dois influentes jornais russos: Vedomosti e Kommersant.

Após ter sido demitido do jornal Kommersant em 2019, exerceu funções de assessor do diretor da Agência Espacial russa, Roscosmos, Dmitri Rogozine.

De acordo com os serviços de informações russos (FSB), Ivan Safronov é suspeito de ter transmitido "segredos de Estado" sobre cooperação militar, tecnológica, defesa e segurança da Rússia "aos serviços secretos de um país da NATO" que não foi especificado.

Entretanto, o Kremlin declarou que a prisão de Safronov não está relacionada com a atividade jornalística que exerceu.

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