O governo do Irão disse esta terça-feira (24 de fevereiro) que os estudantes têm direito a protestar enquanto membros ativos da sociedade, mas lembrou que existem “linhas vermelhas”. Um recado depois do quarto dia de contestação dentro das universidades do país, com confrontos entre estudantes pró e anti-regime. “As entidades sagradas e a bandeira são duas das linhas vermelhas que devemos proteger”, disse a porta-voz, Fatemeh Mohajerani. Na véspera, circularam imagens online onde se viam alguns estudantes a rasgar e a queimar a atual bandeira e a hastear a do leão e do sol, usada antes da Revolução Islâmica de 1979.A contestação voltou ao Irão (especialmente às universidades) mais de um mês depois dos protestos que foram reprimidos com violência, especialmente nas noites de 8 e 9 de janeiro, causando milhares de mortos. Na altura, o presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou agir em defesa dos manifestantes, tendo recuado nas ameaças após terem sido suspensas as execuções planeadas. Esta terça-feira (24 de fevereiro), segundo a Reuters, um tribunal revolucionário terá contudo condenado à morte um homem acusado de ser moharebeh (“inimigo de Deus”). A sentença terá ainda que ser confirmada pelo Supremo Tribunal, mas se isso acontecer poderá ser a primeira relacionada com os protestos de janeiro. Mohammad Abbasi foi acusado de matar um membro das forças de segurança, mas a família nega o crime.As novas manifestações surgem em véspera de uma nova ronda de contactos entre os EUA e o Irão, em Genebra, esta quinta-feira (26 de fevereiro) que decorrem ao mesmo tempo que Washington continua a reforçar os meios militares na região. A Casa Branca voltou a repetir que “a primeira opção” do presidente norte-americano, Donald Trump, “é sempre a diplomacia”. Contudo a porta-voz Karoline Leavitt também avisou: “Mas ele mostrou que está disposto a usar a força letal das Forças Armadas dos EUA se for necessário”, insistindo que é o presidente que tem sempre a última palavra. O porta-aviões USS Gerald R. Ford, o maior do mundo, chegou a Creta, indo a caminho do Médio Oriente (onde já está o USS Abraham Lincoln).O Irão, por seu lado, disse estar preparado para um acordo. “Estamos prontos para chegar a um acordo o mais rapidamente possível. Faremos tudo o que for necessário para que isso aconteça. Entraremos na sala de negociações em Genebra com total honestidade e boa fé”, disse o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Majid Takht-Ravanchi, citado pelos meios de comunicação estatais. Mas também deixou o aviso: “Se houver um ataque ou agressão contra o Irão, responderemos de acordo com os nossos planos de defesa”, acrescentando que um ataque dos EUA será uma “verdadeira aposta”. Segundo a Reuters, o Irão estará prestes a fechar um acordo para comprar mísseis de cruzeiro anti-navios à China - numa altura em que Trump destacou a sua “grande armada” para o Médio Oriente. De acordo com as fontes da agência de notícias, o acordo para a compra dos mísseis CM-302 de fabrico chinês está prestes a ser concluído, mas ainda não há data para serem entregues. Estes mísseis têm um alcance de cerca de 290 km e são concebidos para evadir as defesas navais voando baixo e a alta velocidade. O seu emprego aumentaria significativamente a capacidade de ataque do Irão e representaria uma ameaça para as forças navais dos EUA.