Filha de aliado de Putin morre em explosão de carro

Darya Dugina, de cerca de 30 anos, terá sido vítima da detonação de um engenho explosivo. Ucrânia já negou envolvimento.

A filha do ultranacionalista de direita Alexander Dugin, aliado de Vladimir Putin, morreu no sábado à noite, quando o carro em que seguia explodiu, nos arredores de Moscovo. Darya Dugina, de cerca de 30 anos, terá sido vítima da detonação de um engenho explosivo.

Segundo um amigo de Darya Dugina, que falou à agência Tass e é citado pelo The Guardian, a jovem seguiria no carro do pai quando ocorreu a explosão. "Este era o veículo do pai dela. Darya conduzia outro carro, mas levou este hoje. (...) Tal como vejo as coisas, Alexander era o alvo, ou provavelmente os dois".

Segundo a BBC o filósofo ultranacionalista e a filha tinham sido convidados de honra do festival "Traditsiya [Tradição]", realizado perto de Moscovo, e onde Alexander Dugin deu uma palestra. Os dois deveriam regressar no mesmo carro, mas Dugin acabou por deslocar-se noutra viatura, disse o violinista Peter Lundstrem, que também assistiu ao festival.

Alexander Dugin é um cientista político, ultranacionalista de direita, defensor de um novo império russo que unifique todos os países falantes da língua, e é apontado como um ideólogo de Vladimir Putin. Dugin, assim como a filha, jornalista e analista política que expressou publicamente apoio ao Kremlin na invasão da Ucrânia, estavam ambos na lista de sanções dos Estados Unidos.

O caso está a ser investigado pelas autoridades russas como um homicídio. Segundo o The Guardian vários comentadores pró-Kremlin já responsabilizaram Kiev pela morte de Darya Dugina.

Ucrânia nega envolvimento

Uma acusação que a Ucrânia já veio rejeitar. "Sublinho que a Ucrânia nada tem a ver com isto, porque não somos um Estado criminoso como a Federação Russa e não somos um Estado terrorista", disse o conselheiro presidencial ucraniano Mikhail Podoliak, citado pela agência espanhola EFE.

Para o conselheiro do Presidente Volodymyr Zelensky a Rússia começou a "desintegrar-se internamente" e vários grupos estão a entrar em confronto numa luta pelo poder. Como parte deste confronto ideológico, a "pressão da informação" na sociedade está a crescer e a guerra na Ucrânia está a ser utilizada como uma via de fuga, enquanto setores nacionalistas se estão a radicalizar ainda mais, acrescentou Podoliak.

As declarações de Podoliak surgiram depois de o líder pró-russo da região separatista de Donetsk, no leste da Ucrânia, ter acusado o regime de Kiev de envolvimento no alegado atentado que vitimou Daria Dugina. "Numa tentativa de eliminar Alexander Dugin, os terroristas do regime ucraniano mataram a sua filha", escreveu Denis Pushilin na rede social Telegram.

O senador russo Andrei Klishas também considerou tratar-se de um "ataque inimigo" e exigiu que os autores sejam levados à justiça, segundo a EFE, citada pela agência Lusa.

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