Embaixadora dos EUA defende que "membros da NATO devem cumprir compromissos"

Rendi Levine, nova embaixadora dos EUA em Lisboa, diz que os membros da NATO devem "intensificar a segurança coletiva".

A nova embaixadora dos Estados Unidos em Lisboa, Rendi Levine, defendeu esta segunda-feira que os membros da NATO devem cumprir os compromissos com a Aliança, numa altura em que a Europa enfrenta o desafio da guerra na Ucrânia.

"Devemos todos intensificar a nossa segurança coletiva, cumprindo os nossos compromissos com a NATO", disse Rendi Levine na abertura do sexto encontro de legisladores norte-americanos lusodescendentes, que decorre na sede da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), em Lisboa.

A NATO aprovou uma orientação, em 2014, para que os seus Estados-membros (atualmente 30) intensifiquem o investimento na Defesa até 2% do Produto Interno Bruto (PIB).

O primeiro-ministro, António Costa, disse na semana passada que Portugal está a cumprir o calendário fixado com a NATO e poderá atingir 1,98% do PIB em investimento na Defesa em 2024, mediante a mobilização de recursos europeus.

Na sua primeira intervenção pública desde que assumiu funções há duas semanas, Rendi Levine defendeu que os países que partilham os valores democráticos, como os Estados Unidos da América (EUA) e Portugal, devem mantê-los na agenda geopolítica.

A diplomata norte-americana disse que a Rússia está a cometer atrocidades na Ucrânia, incluindo "bombardeamentos intencionais de alvos civis, assassínios em massa e tortura".

"É difícil de acreditar que, em 2022, estamos mais uma vez a testemunhar um país europeu a brutalizar o seu vizinho, mesmo à porta dos nossos parceiros da NATO", lamentou.

Rendi Levine elogiou Portugal por "lutar pela paz" e por dar refúgio a milhares de refugiados ucranianos, na sequência da guerra iniciada pela Rússia em 24 de fevereiro.

Agradeceu também o "apoio firme e a coordenação" de Portugal nas sanções contra a Rússia, referindo que os aliados devem assegurar que Moscovo não as consegue contornar.

"Apoiar a Ucrânia envia uma mensagem forte de que cada país tem o direito de decidir o seu próprio destino e não ser subjugado por um vizinho mais poderoso", afirmou.

Aos cerca de 20 membros do Congresso norte-americano e senados estaduais presentes no encontro da FLAD, Rendi Levine disse que os Estados Unidos são um parceiro da transição digital de Portugal, cujas 'start-ups' valem mais de 25.000 milhões de euros.

Na abertura do encontro de dois dias, a presidente da FLAD, Rita Faden, destacou que, na crise da Ucrânia, "os parceiros transatlânticos deram um sinal claro de unidade e determinação".

Rita Faden disse também que a FLAD está a desenvolver um estudo sobre o "perfil demográfico e socioeconómico" da comunidade luso-americana dos EUA, de quase 1,5 milhões de pessoas.

O programa de comunicações no encontro inclui o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, e o líder do PSD, Rui Rio.

Na terça-feira, os legisladores luso-americanos serão recebidos pelo presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva.

A FLAD é uma fundação privada e financeiramente autónoma criada pelo Estado português em 1985, para promover as relações entre Portugal e os EUA, visando o desenvolvimento económico, social e cultural.

Portugal e os EUA mantêm relações diplomáticas desde 1791.

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