EMA admite ligação da AstraZeneca a coágulos mas diz que são raros

A Agência Europeia do Medicamento insiste nos benefícios da vacina anglo-sueca.

A Agência Europeia do Medicamento (EMA) concluiu esta quarta-feira que existe uma "possível relação" entre a vacina da contra a covid-19 da farmacêutica AstraZeneca e a formação de "casos muito raros" de coágulos sanguíneos, mas insistiu nos benefícios do fármaco.

Em conferência de imprensa, em Amesterdão, a diretora executiva da Agência Europeia do Medicamento (EMA), Emer Cooke, garantiu que o Comité de Segurança da organização confirmou que os benefícios da vacina AstraZeneca se sobrepõem aos efeitos secundários.

Disse que a vacina tem mostrado ser eficaz para os casos graves de covid-19. A responsável sublinhou que após análise aprofundada de casos de coágulos sanguíneos, que estes podem ser efeitos secundários da vacina, mas afirmou que são casos "raros".

Em comunicado a EMA já tinha admitido a possível relação [entre a vacina da AstraZeneca] e casos muito raros de coágulos de sangue incomuns com plaquetas sanguíneas baixas", mas "confirma que o risco-benefício global permanece positivo", informa o regulador da União Europeia (UE) em comunicado.

Em concreto, o comité de segurança da EMA "concluiu hoje que coágulos de sangue invulgares com plaquetas sanguíneas baixas devem ser listados como efeitos secundários muito raros da Vaxzevria", nova denominação da vacina da AstraZeneca, tendo em conta "todas as provas atualmente disponíveis", acrescenta o regulador, numa alusão à investigação realizada nas últimas semanas.

Notando que "a covid-19 está associada a um risco de hospitalização e morte", a agência europeia adianta que "a combinação notificada de coágulos e plaquetas sanguíneas baixas é muito rara", pelo que "os benefícios globais da vacina" da AstraZeneca "superam os riscos de efeitos secundários".

18 casos fatais

Segundo a EMA, foram registados 62 casos de trombose do seio venoso cerebral e 24 casos de trombose venosa esplâncnica até 22 de março, bem como 18 mortes, num universo de cerca de 25 milhões de vacinados na UE, Espaço Económico Europeu e Reino Unido.

Em Amesterdão, Sabine Straus, a responsável pelo comité de Segurança da EMA, afirmou também que aquele organismo concluiu que nem idade nem género são fatores para este tipo de efeito secundário. A agência diz que dados disponíveis não permitem identificar as causas das complicações.

A responsável pediu a que os cidadãos vacinados com a Astrazeneca estejam atentos a sinais de falta de ar, dor no peito, mãos inchadas, dores de cabeças severas e escamaduras de pele

A AstraZeneca tem estado envolta em polémica devido ao surgimento de coágulos sanguíneos em vacinados com a sua vacina contra a covid-19, entretanto denominada Vaxzevria, situação que levou alguns países europeus a suspender o seu uso e que só foi ultrapassada depois de a EMA ter garantido, em meados de março, que este era um fármaco seguro e eficaz.

O regulador europeu tem desde então vindo a investigar a relação entre a vacina e os episódios de aparecimento de coágulos sanguíneos e da morte de pessoas inoculadas com a vacina Vaxzevria.

Já na terça-feira, o responsável pela estratégia de vacinação da EMA, Marco Cavaleri, tinha assumido a existência de uma ligação entre a vacina contra a covid-19 da AstraZeneca e os casos de tromboembolismos após a sua administração, numa entrevista ao diário italiano Il Messaggero, declarações que provocaram desconforto na União Europeia.

Antes, no início da semana passada, a EMA publicou uma atualização sobre o fármaco e, além de divulgar a mudança do nome para Vaxzevria, indicou que "foi incluído na informação sobre o produto um aviso sobre eventos de coágulos sanguíneos específicos muito raros".

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