Cimeira. 43 países lançam Comunidade Política Europeia

Cimeira jumbo para lidar com a rivalidade geopolítica e a escalada da confrontação impostas por Moscovo.

A capital da República Checa, Praga, acolhe esta quinta-feira o primeiro encontro da comunidade de países de influência europeia. A Comunidade Política Europeia - EPC na sigla inglesa (European Political Community) - pretende ser uma plataforma informal de coordenação dos países de todo o continente europeu.

Além dos 26 Estados-Membros da União Europeia, vão representados outros 17 países, entre os quais a Ucrânia, a Turquia, ou o Reino Unido. (O governo dinamarquês estará presente na cerimónia de lançamento do ano parlamentar, não estará representado na cimeira).

O encontro marca, aliás, o regresso da liderança do governo britânico a um palco europeu, desde o Brexit, agora que o homem que se tornou num dos rostos principais da oposição ao bloco europeu, Boris Johnson, foi substituído.

A primeira-ministra Liz Truss será a protagonista desse reencontro, inicialmente convocado pelo Presidente francês, Emmanuel Macron para "fomentar o diálogo político e a cooperação e abordar questões de interesse comum, com o objetivo de "reforçar a segurança, a estabilidade e a prosperidade do continente europeu", comentou uma fonte oficial da União Europeia. De acordo com a imprensa do Reino Unido, a primeira-ministra britânica deverá reforçar o apelo para que se mantenha o apoio à Ucrânia.

Alguns analistas consideram que esta é a razão principal pela qual o encontro se realiza. Num artigo conjunto, assinado pelo teórico político, autor e professor de Direito Comunitário na Universidade de Leiden, Luuk van Middelaar, e pelo autor e sócio fundador da Shearwater Global, Hans Kribbe, publicado pelo Politico, "é porque a UE não pode fornecer o lar político de que a Ucrânia precisa neste momento que existe a necessidade de outro clube europeu maior, ao qual possa aderir imediatamente".

Ou seja, o objetivo é incluir a Ucrânia e outros Estados numa plataforma estratégica e de diálogo, que possa lidar com a rivalidade geopolítica que parece ser cada vez mais o destino da relação com a Rússia.

No encontro estarão ainda os países dos Balcãs ocidentais, que recentemente viram ser-lhes reconhecido o estatuto de países candidatos, como a República da Macedónia do Norte e a Sérvia e os que já aguardam pela adesão há mais anos, como a Albânia ou Montenegro.

Completarão a habitual "foto de família" os líderes da Arménia, Azerbaijão, Noruega, Liechtenstein, Suíça, Islândia, Bósnia e Herzegovina, República da Moldávia, Kosovo.

"Com o Brexit e a adesão estagnada da Turquia, uma parte estrategicamente importante da Europa provavelmente nunca estará na União Europeia - o mesmo vale para as potências energéticas e económicas da Noruega e da Suíça, mas a guerra de agressão da Rússia mostra que tanto a "Europa-não-pertencente-à-UE" como a União Europeia, partilham certos interesses territoriais e geoestratégicos (...)", comentam Middelaar e Kribbe.

A cimeira pretende ser um encontro de "países europeus em pé de igualdade e com espírito de unidade", marcando a inauguração da EPC, que não deverá sobrepor-se nem substituir nenhuma das estruturas, organizações ou procedimentos já existentes.

No final deste primeiro encontro da Comunidade Política Europeia não será emitida qualquer declaração conjunta formal, nem um texto de conclusões. Middelaar e Kribbe consideram que o que está em causa, nesta primeira reunião, não é tanto o que se afirma, nem qualquer lista de decisões.

A "chave" do encontro reside antes "na lista de convidados", e no conjunto de representantes de um bloco geoestratégico de influência europeia, que no final constarão da "foto de família", que no final transmitirão um sinal de unidade, em torno de interesses comuns, para lidar com a confrontação de Moscovo. A EPC deverá reunir-se duas vezes por ano.

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