Boris sobrevive a voto de não confiança mas fica fragilizado

Primeiro-ministro passou no teste, mas obteve mais votos contra dos seus deputados conservadores do que estaria à espera e sai fragilizado. Precisava de 180 votos a favor e teve 211, mas 148 votaram contra. Ainda assim, celebrou uma "vitória convincente"

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, sobreviveu a um voto de não confiança à sua liderança do Partido Conservador no rescaldo dos escândalos do partygate e durante um ano estará protegido de nova tentativa interna para o derrubar. Johnson precisava do apoio de 180 deputados conservadores e conseguiu o de 211, com 148 a votar contra. Caso tivesse perdido, teria que deixar a liderança do governo.

Para Johnson, uma vitória por um voto é na mesma uma vitória. Mas para muitos, esta vitória é técnica, mas não política, já que mais de uma centena dos 359 deputados conservadores votaram contra o primeiro-ministro, deixando-o fragilizado - de facto, em termos de percentagem, fez pior do que Theresa May na moção a que ela sobreviveu em 2018. E isso poderá significar problemas no Parlamento, quando precisar dos votos. Sendo que esta votação surge menos de dois anos e meio depois de ter ganho as eleições com uma maioria histórica.

O anúncio do voto foi feito ontem de manhã pelo líder do Comité 1922 (ao qual pertencem os deputados conservadores sem um lugar no governo). Graham Brady anunciou que tinha recebido pelo menos 54 cartas a retirar a confiança na liderança de Johnson, o equivalente a 15% da bancada parlamentar. O primeiro-ministro terá sido avisado na véspera, no último dia da celebração do Jubileu de Platina da rainha Isabel II - durante o qual foi vaiado, com as sondagens a apontar também para uma perda de popularidade.

Antes da votação, por voto secreto, Johnson reuniu com os deputados e apelou a ultrapassar este obstáculo, lembrando que conseguiu o Brexit, lutar contra a pandemia (apesar dos escândalos das festas) e que está a liderar os esforços ocidentais contra a Rússia na guerra da Ucrânia. "Todos vocês conhecem a força incrível que podemos representar quando estamos unidos", terá dito o chefe do governo, segundo a Sky News, alertando para o risco dos conservadores se virarem "uns contra os outros" e prometeu "restabelecer a confiança" dos eleitores. "O melhor está para vir", referiu.

Caso tivesse perdido, Johnson teria que se demitir de imediato da liderança dos Tories, mas continuaria como primeiro-ministro até o partido ter eleito um sucessor - numa votação em que o próprio Johnson não poderia participar. Mas o facto de ter vencido e de teoricamente estar protegido durante 12 meses, pode não significar que tem capacidade para terminar o mandato. A sua antecessora, Theresa May, venceu um voto de não confiança em dezembro de 2018 (por 200 contra 117), depois de ter perdido o apoio dos deputados conservadores por causa do Brexit. Mas acabaria por se demitir após as europeias de maio de 2019.

Boris fala de vitória "convincente"

Numa primeira reação, o líder da oposição, o trabalhista Keir Starmer, disse que "os britânicos estão fartos de um primeiro-ministro que é totalmente inadequado para o cargo que detém" e que os "deputados conservadores ignoraram o público".

Já o primeiro-ministro britânico prometeu continuar o rumo da sua governação depois de conquistar aquilo a que chamou de uma vitória "convincente".

"É claro que entendo que o que precisamos de fazer agora é nos unirmos como governo, como partido. E é exatamente isso que podemos fazer agora", disse.

susana.f.salvador@dn.pt

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