Pelo menos 11 palestinianos, incluindo quatro crianças, foram mortos hoje num ataque israelita na zona humanitária de al-Mawasi, no centro-sul da Faixa de Gaza, informaram fontes médicas à agência de notícias EFE..Entre as vítimas estavam o diretor-geral da polícia no sul de Gaza, Mahmoud Salah, e o diretor do departamento de Investigações Gerais da mesma instituição, Hussam Shahwan..Ambos eram responsáveis por garantir a ordem na área e evitar atos de vandalismo na distribuição de ajuda humanitária..Equipas da defesa civil e pessoal médico foram enviados para o local, para recuperar os corpos e tratar dos cerca de 15 feridos..Autoridade Palestiniana suspende transmissões da Al Jazeera.A televisão Al Jazeera, do Qatar, denunciou hoje que a Autoridade Palestiniana suspendeu as transmissões e as suas atividades nos territórios palestinianos, acusando a estação de "interferência" nos seus assuntos e "incitamento à sedição". ."A comissão ministerial competente, composta pelos ministérios da Cultura, do Interior e das Comunicações, decidiu suspender a transmissão e congelar todas as atividades do canal Al Jazeera e do seu escritório na Palestina" e "suspender o trabalho de todos os jornalistas, funcionários, equipas e canais afiliados até que o seu estatuto legal seja retificado", segundo a agência noticiosa oficial palestiniana Wafa.."Esta decisão surge em resposta à insistência da Al Jazeera em transmitir conteúdos e reportagens caracterizados por desinformação, incitamento à sedição e interferência nos assuntos internos palestinianos", acrescentou a agência..Um funcionário da Al Jazeera na Cisjordânia ocupada confirmou à agência de notícias France Press que o escritório do canal em Ramallah foi informado da sua suspensão na quarta-feira..O canal do Qatar denunciou hoje esta suspensão afirmando que ocorreu numa altura "em que a Autoridade Palestiniana está a tentar dissuadir a Al Jazeera de cobrir o agravamento dos acontecimentos nos territórios palestinianos ocupados" e depois de "uma campanha de intimidação" levada a cabo contra os seus jornalistas..A Al Jazeera, que defende a neutralidade do seu trabalho, disse hoje que a suspensão das suas atividades constituiu "uma tentativa de esconder a realidade no terreno nos territórios ocupados, particularmente em cidades como Jenin e o seu campo de refugiados"..O Hamas, o grande rival do Fatah de Mahmoud Abbas, classificou a suspensão da Al Jazeera como uma "violação flagrante da liberdade de imprensa" e um "ato repressivo destinado a silenciar as vozes dissonantes".."Esta decisão está em linha com uma série recente de medidas arbitrárias tomadas pela Autoridade para impedir os direitos e liberdades públicas e reforçar o seu controlo de segurança sobre o povo palestiniano", acrescentou o movimento, apelando à Autoridade Palestiniana para "reverter imediatamente a sua decisão "..Também a Jihad Islâmica protestou contra a suspensão de atividades e transmissões da Al Jazeera.."Condenamos a decisão das autoridades de encerrar o escritório da Al Jazeera na Palestina, numa altura em que o nosso povo e a nossa causa precisam urgentemente de dar a conhecer a sua situação a todo o mundo", afirmou a organização que participou no ataque de 07 de outubro de 2023 em Israel..Israel já tinha decidido, em maio passado, proibir a emissão da Al Jazeera e encerrar os seus escritórios no país, resultado de um conflito de longa data entre o canal e o governo do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que se agravou com a guerra que dura há quase 15 meses na Faixa de Gaza..O exército israelita acusou repetidamente os jornalistas da Al Jazeera de serem "agentes terroristas" em Gaza afiliados no Hamas, autores de um ataque sem precedentes a 7 de Outubro de 2023 em Israel que desencadeou a guerra..A guerra entre Israel e Hamas foi desencadeada por um ataque sem precedentes do grupo palestiniano em Israel, em 7 de outubro de 2023, que levou à morte de mais de 1.200 pessoas do lado israelita, a maioria civis, segundo um balanço da agência France-Presse (AFP), baseado em números oficiais..Mais de 45.500 palestinianos foram mortos na campanha militar israelita de retaliação na Faixa de Gaza, sobretudo civis, segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza do governo do Hamas, considerados fiáveis pela ONU.