As 10 crises de refugiados "mais esquecidas" do mundo estão em África

Relatório afirma que as crises são agravadas com a guerra na Ucrânia, que fez com que vários países doadores decidissem cortar a ajuda a países africanos para redirecionar recursos para o apoio a refugiados ucranianos

As 10 crises de refugiados "mais esquecidas" do mundo estão em África, afirma o Concelho Norueguês dos Refugiados (NRC) num relatório publicado nesta quarta-feira (01), no qual expressa preocupação com as consequências da guerra na Ucrânia para o continente africano.

O NRC, uma organização não-governamental (ONG), publica uma lista anual das 10 "crises de refugiados mais esquecidas" com base em três critérios: falta de vontade política da comunidade internacional para encontrar soluções, falta de cobertura da imprensa e falta de financiamento para as necessidades humanitárias.

A classificação de 2021 "reflete o fracasso crónico das autoridades políticas, dos doadores e dos meios de comunicação no momento de abordar os conflitos e o sofrimento humano neste continente", afirmou o secretário-geral do NRC, Jan Egeland, em comunicado.

Embora normalmente uma grande proporção de países africanos seja incluída (8 de 10 em 2020), 2021 é o primeiro ano em que "todos os 10 (países) estão em África", segundo o relatório.

Assim como no ano anterior, a República Democrática do Congo (RDC), "um caso de manual de abandono, que aparece na lista pela sexta vez consecutiva" - destaca o NRC -, aparece em primeiro lugar, com 5,5 milhões de refugiados, especialmente no nordeste do país.

"Trata-se de uma das piores crises humanitárias deste século e, no entanto, aqueles dentro e fora da África que têm o poder de mudar a situação ignoram as ondas de ataques brutais e seletivos contra a população civil que estão a desintegrar as comunidades", afirmou a ONG.

No oeste de África, Burkina Faso, que tem mais de 1,75 milhão de refugiados, sobretudo no norte do país, cenário de atentados de grupos extremistas, ocupa o segundo lugar, à frente de Camarões, Sudão do Sul, Chade, Mali, Sudão, Nigéria, Burundi e Etiópia.

A fome aumenta na maioria destes países, em particular com o agravamento da situação alimentar após o "aumento dos preços dos trigo e dos combustíveis provocado pela guerra na Ucrânia", alerta o NRC.

"Além disso, vários países doadores estão a decidir ou a considerar cortar a ajuda à África para redirecionar os recursos para a Ucrânia e para o acolhimento de refugiados ucranianos nos seus países", completa o relatório.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG