Gestor que aumentou em 5000% preço de medicamento condenado a pagar 57 milhões de euros

Conhecido como "Pharma Bro", Martin Shkreli fica ainda impedido de voltar a exercer funções na indústria farmacêutica, sentenciou a justiça norte-americana

DN
Martin Shkreli© EPA/ANDREW GOMBERT

Martin Shkreli, o norte-americano gestor de fundos de investimento que se tornou mediático por em 2015 ter aumentado mais de 5000% o preço do medicamento Daraprim, que salva vidas, foi condenado esta sexta-feira pela justiça norte-americana a pagar uma multa de 65 milhões de dólares (cerca de 57 milhões de euros) e impedido de voltar a trabalhar na indústria farmacêutica.

O antigo gestor e CEO da Turing Pharmaceuticals multiplicou, de um dia par o outro, o preço do antiparasitário destinado a seropositivos. Em vez de 13,5 dólares, o comprimido diário de Daraprim custava 750 dólares. Esta decisão valeu-lhe, na altura, a alcunha do "homem mais odiado da América".

Em defesa do aumento do preço do Daraprim, o ex-presidente da Turing Pharmaceuticals, que ficou conhecido como "Pharma Bro", alegou que os pacientes que precisassem do medicamento poderiam obtê-lo através de seguradoras e argumentou que era o capitalismo lhe permitia aumentar o preço do medicamento.

A juíza distrital dos EUA Denise Cote não se mostrou convencida e apelidou o esquema de Shkreli para aumentar o preço do Daraprim de "particularmente insensível e coercivo".

"Negligenciou imprudentemente a saúde de uma população particularmente vulnerável, aqueles com sistema imunológico comprometido. O seu esquema sobrecarregou esses pacientes, os seus entes queridos e os seus profissionais de saúde", afirmou a juíza.

Num tom de forte repreensão, a juíza também acusou Shkreli de não ter demonstrado nenhum remorso pelas suas ações, concluindo por isso que "o risco de reincidência aqui é real". "A conduta de Shkreli em prejuízo da saúde pública foi flagrante e imprudente. Impedir-lo de repetir essa conduta é do interesse público", disse Cole.

A procuradora-geral de Nova Yorque, Letitia James, de um dos estados que é demandante no caso, aplaudiu a decisão de Cole. "Inveja, ganância, luxúria e ódio' não apenas 'separam', mas obviamente motivaram Shkreli a aumentar ilegalmente o preço de uma droga que salva vidas, enquanto a vida dos americanos estava no fio da navalha", disse James em comunicado. "Mas os americanos podem ficar tranquilos porque Martin Shkreli não voltará mais a ser um farmacêutico".

Shkreli foi anteriormente condenado, em 2018, a sete anos de prisão por fraude de valores mobiliários num outro caso. Foi considerado culpado de enganar investidores sobre dois fundos de investimento que administrava.