Erdogan arranca viagem africana em Angola

O presidente turco inicia uma visita de Estado a Angola que inclui na agenda o aprofundamento das relações bilaterais e um fórum empresarial, seguindo depois para a Nigéria e o Togo.

DN
Recep Tayyip Erdogan.© EPA/ERDEM SAHIN

Recep Tayyip Erdogan inicia o programa oficial da visita na segunda-feira, sendo recebido no palácio presidencial pelo seu homólogo, João Lourenço, numa cerimónia que incluirá honras militares e o disparo de 21 salvas de canhão, segundo uma nota dos serviços de imprensa do presidente da república angolano.

"Os dois chefes de Estado vão manter um encontro em privado, ao mesmo tempo em que as delegações ministeriais respetivas se reunirão para discutir aspetos concretos das relações bilaterais", segundo o documento, acrescentando-se que, no final do encontro, serão assinados acordos de cooperação.

Erdogan recebeu Lourenço em julho, e na altura os dois líderes celebraram acordos de cooperação em matéria de transportes aéreos, promoção mútua de investimentos, hidrocarbonetos e mineração, energias renováveis e isenção de vistos.

O presidente turco vai também nesse dia à Assembleia Nacional, para participar numa reunião plenária com os deputados da nação, convocada em sua homenagem.

Erdogan vai visitar também o Memorial Dr. António Agostinho Neto para deposição de uma coroa de flores no sarcófago do primeiro presidente de Angola.

Ainda na segunda-feira, Erdogan participa num fórum empresarial e num jantar de gala no palácio presidencial, antes de deixar Luanda, no dia seguinte, a meio da manhã.

De Luanda segue para a Nigéria, onde irá encontrar-se com o presidente nigeriano Muhammadu Buhari e participará no Fórum Empresarial Turquia-Nigéria na sua segunda visita ao país da África Ocidental. Três acordos nos campos dos hidrocarbonetos, mineração e energia deverão também ser assinados.

A Nigéria é o principal parceiro comercial da Turquia na África subsaariana, com um volume comercial de 754 milhões de dólares em 2020, que se prevê que aumente para mais de mil milhões de dólares.

Além das relações económicas, e de receber o prémio Personalidade Global Muçulmana da publicação Muslim News Nigeria, Erdogan vai pressionar as autoridades nigerianas para que estas encerrem as escolas do movimento do clérigo Fethullah Gülen (designado movimento terrorista por Ancara) e que estas passem para as mãos da Fundação Maarif, criada após a proibição do gulenismo.

O Togo será a última paragem de Erdogan, onde irá discutir formas de melhorar as relações bilaterais e a expansão do comércio bilateral, que foi de 150 milhões de dólares em 2020.

O continente africano tem sido uma grande aposta de Erdogan. Além de ter apoiado movimentos na Tunísia e em especial na Líbia pós-revolucionárias, o país abriu quase 30 embaixadas em 19 anos e o volume de negócios quase quintuplicou.