A Evolução da Terapêutica no tratamento do VIH

Ricardo Fernandes, Diretor Executivo do Grupo de Ativistas em Tratamentos (GAT), explicou de que forma tem evoluído, desde os seus primeiros tempos, o tratamento do VIH. Fundado em 2001, o GAT é uma estrutura de adesão individual e cooperação entre pessoas de diferentes comunidades e de diferentes organizações, afetadas pelo VIH e SIDA.

No início, quando começou o tratamento para o VIH, este consistia apenas num único fármaco, o AZT ou zidovudina, que não era eficaz o suficiente - funcionou para dar alguma esperança aos doentes, mas não bastava. Mais tarde, juntou-se outro fármaco, que veio trazer mais eficácia. Foi iniciada a sua administração, em separado, mas provou-se que também não era suficiente. Só quando se criou uma terapia tripla - algo que demorou algum tempo, e até lá ainda morreram muitas pessoas -, ou o que se chamava a HAART (Highly Active Antiretroviral Therapy) é que foi possível começar a salvar pessoas.

A terapia tripla provou-se eficaz para evitar que pessoas infetadas pelo VIH morressem devido à infeção pelo vírus, mas verificou-se, desde essa época, que o tratamento causava outro tipo de problemas de saúde. Concluiu-se, então, que era necessário reduzir o número de comprimidos ou a quantidade de fármacos constante nos mesmos. Foram então testados vários tratamentos, mas só há bem pouco tempo é que a indústria percebeu que era necessário que os fármacos fossem menos tóxicos, de forma a reduzir os seus efeitos secundários. Este foi um trabalho que significou um esforço significativo até se conseguir, finalmente, fármacos eficazes, com um reduzido nível de toxicidade. Foi possível, também, concentrar estes fármacos num único comprimido, uma conquista muito importante. Deste modo, torna-se não só mais fácil convencer o doente a seguir o tratamento, já que só precisa de tomar, uma vez ao dia, um comprimido, como também evitar esquecimentos da parte do mesmo.

Assim, só muito recentemente é que foram registados grandes avanços não só ao nível da redução da toxicidade dos fármacos, como também ao nível da toma: foram introduzidas moléculas que têm mais ou tanta eficácia como as antigas, com menos efeitos secundários, e cuja quantidade é mínima. Hoje em dia temos, por exemplo, um medicamento com 20 miligramas, que antigamente tinha 600 miligramas. Temos, então, medicamentos mais eficazes, com menos efeitos secundários, e são precisas doses menores e menos tomas diárias para tornar o vírus indetetável.

Recentemente, alguns estudos provaram que a monoterapia (toma de um único fármaco por dia) é eficaz, mas apenas para um conjunto reduzido de pessoas. Assim, foi desenvolvida uma duoterapia, que consiste no tratamento a partir de apenas dois fármacos, e que neste momento em Portugal está disponível em 2 comprimidos com uma reduzida quantidade de fármacos e uma toxicidade mais baixa que se tem provado eficaz para a maioria das pessoas.

Este é, assim, o advento em que nos encontramos ao nível da terapêutica do VIH: conseguimos desenvolver um conjunto de medicamentos muito bem tolerados - que ainda não são os medicamentos perfeitos, mas que já estão muito perto desse nível -, com poucos efeitos secundários, de toma diária, concentrados em apenas um ou dois comprimidos, o que obviamente facilita a vida das pessoas com VIH hoje em dia, assim como as suas perspetivas do futuro. Importa também não esquecer que a população que vive com VIH nos nossos tempos está a ficar mais idosa, graças aos últimos avanços na terapia, pelo que também começam a sofrer com problemas típicos da idade e a ter de tomar medicamentos para os mesmos. Assim, há que considerar as interações medicamentosas destes fármacos com os do tratamento do VIH, e trabalhar no sentido de evitar conflitos entre os mesmos. Tem havido o cuidado, ao nível dos fármacos para o tratamento do VIH, de introduzir moléculas que tenham o mínimo de interações com terapêuticas de outras áreas, especialmente para as mais usadas.

Em relação ao futuro desta terapêutica, acreditamos que já não é possível criar medicamentos mais eficazes - só mesmo se curassem o VIH. É possível, ainda, conseguir medicamentos menos tóxicos, embora já tenha sido atingido um nível muito bom em termos de toxicidade. Caminhamos, agora, para um novo paradigma, que se refere à toma. Procuramos, neste momento, conseguir reduzir a toma a uma vez por semana, por mês ou a cada dois meses. O grande desafio hoje em dia é a adesão à terapêutica, pelo que neste momento o que procuramos é facilitar a mesma. A indústria encontra-se, por exemplo, a desenvolver um medicamento que permite a toma, por injeção, a cada dois meses. O que procuramos, com a redução da toma destes comprimidos, é melhorar a qualidade de vida dos doentes, já que estes medicamentos são muito bem tolerados.

Em conclusão, o objetivo desde os primeiros passos da terapêutica do VIH era conseguir que apenas um fármaco pudesse concentrar o tratamento necessário, o que não conseguimos devido à falta de eficácia do primeiro medicamento desenvolvido (o AZT), e hoje em dia já estamos a consegui-lo, com fármacos eficazes, com reduzidos níveis de toxicidade e efeitos secundários. Uma conquista a salutar, no contexto do tratamento do VIH.

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