Bombos e tarola. A táctica para levar os miúdos à escola

No Alto da Ajuda, há um projeto numa escola básica que através da música consegue levar crianças às aulas.

Bombos, tarolas, uma banda. Esta é a tática com que a Escola Básica EB 1 Professor Manuel Sérgio tem conseguido conquistar para as aulas os miúdos do Alto da Ajuda.

Aulas de música, exibições em alguns locais de Lisboa - como vai acontecer este sábado no palco DN, na Praça do Município - são o prémio para as crianças que vão à escola e têm boas notas.

Sediada numa zona de Lisboa onde graças a este projeto os pais começam a valorizar as atividades escolares, a EB 1 Professor Manuel Sérgio tem no projeto BomBaça, da autoria de Sílvia Ramos que conta também com a colaboração do músico Rui Câmara, uma forma de levar os alunos do primeiro ciclo às aulas e a manterem a assiduidade pois sabem que quem não tiver boas notas e marcar presença nas aulas não vai poder ir aos ensaios e apresentações públicas.

Isso mesmo explica a professora que antes de estar neste Agrupamento de Escolas do Restelo já tinha colocado o projeto em prática em outros locais. "Já existe comigo há alguns anos. É uma forma de motivar os miúdos a ir à escola. Eles sabem que se quiserem tocar têm de ir às aulas".

As idades deste grupo que tem na percussão uma forma de aprender varia entre os sete e os 13 anos pois além das crianças do primeiro ciclo foi dada a hipótese a alguns mais velhos e que estavam em outros níveis de ensino de participarem no grupo. "Temos miúdos do primeiro ciclo e do quinto e oitavo ano", explica Sílvia Ramos que por estes dias tem andado a preparar a atuação que pelas 16.00 deste sábado - dia de aniversário do DN - vão protagonizar.

Além de incentivar o gosto pela música este projeto tem ainda uma forte componente de inserção social pois os alunos são, como explica a docente, "maioritariamente de etnia cigana, de famílias com dificuldades e que não valorizam a escola".

Situação que está a mudar pois, garante, os resultados escolares estão a melhorar - é a forma de não falharem os ensaios ao sábado de manhã - e existe "um maior empenho nas atividades".

Entusiasmo que também começa a estender-se às família como sublinha: "Há pais que os mandam aos ensaios, mas também já há quem os acompanhe. Quero que eles se identifiquem com o projeto reforçando o lado positivo deste."

Quem também se identifica com a iniciativa é a direção do agrupamento como conta a responsável pelos BomBaça: "Ajudam muito, por exemplo, recentemente compraram as peles para os instrumentos."

O projeto em que está inserida esta iniciativa faz parte do projeto "Aprender com ritmo" que não é mais do que a tentativa de desenvolver o gosto pela escola através da música. Para Sílvia Ramos esta prática ajuda a promover a interdisciplinaridade, tudo numa atmosfera informal e onde a confiança entre todos os participantes é fator essencial. Isso e a ida às aulas.

O resultado deste trabalho vai ser conhecido na tarde desta sábado no palco DN a partir das 16.00.

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