A relação entre a Depressão e outras doenças

Algumas doenças podem levar-nos a estados depressivos que necessitam de ser diagnosticados e tratados. Esclareça todas as suas dúvidas e perceba melhor como funciona a relação desta patologia com outras doenças. Um artigo da autoria do Prof. Marques Teixeira.

As variações do humor, nomeadamente a tristeza, devem ser consideradas com muita cautela dado que revelam uma das reações psicológicas mais comuns entre os seres humanos. O facto de uma pessoa se sentir triste ou deprimida não é suficiente para afirmar que essa pessoa sofre de depressão.

Este termo tem vários significados que podem estender-se desde uma reação perfeitamente normal até um quadro clínico que necessita de tratamento. Para que um estado depressivo seja considerado patológico é necessário que (1) se prolongue para além do esperado, (2) que seja desproporcionado em relação às circunstâncias, (3) que esteja fora do controlo pessoal e (4) que provoque uma disfunção e desajuste da pessoa em relação à sua vida.

Este tipo de situações pode ocorrer no curso de certas doenças orgânicas. Em qualquer doença do domínio orgânico é natural que uma pessoa reaja à sua doença ansiando-se ou deprimindo-se e, em muitos casos, exprimindo um comportamento de medo. Estas reações são normalmente transitórias. No entanto, em determinados casos, podem tornar-se persistentes e perturbar o próprio decurso da doença ou da recuperação.

Nestes casos podemos considerar que o doente apresenta uma depressão associada à sua doença orgânica. Isto ocorre principalmente após situações agudas de ameaça à vida (COVID-19, doenças infeciosas agudas, enfarte do miocárdio, entre outras) ou no curso de doenças orgânicas crónicas, como as neoplasias, as situações artificias de vida, como a hemodiálise, as dores crónicas, entre outras.

Nas situações agudas, a vivência de morte iminente é a que tem mais significado e a que condiciona as reações psicológicas, que podem ser depressivas, sobretudo à medida que o doente vai tomando mais conhecimento do seu estado. Sucedem-se ruminações sobre as consequências sobre a sua vida: emprego em perigo, diminuição do seu poder, sentimento de estar a ficar velho ou a ser posto de lado, impossibilidade de conduzir, de fazer exercício, de ter vida sexual adequada.

Nas situações crónicas, o doente pode aceitá-las como um pressentimento ou então refugiar-se na denegação do diagnóstico, para depois passar à fase depressiva, exprimindo ideias de suicídio ou sentimentos de inferioridade e de inutilidade. O facto de uma doença crónica poder ser debilitante pela sua própria natureza e se estender no tempo é, só por si, uma causa de depressão que tem de ser tratada.

Mas o contrário também é verdadeiro. Isto é, quadros depressivos diagnosticados que podem constituir fatores de risco para doenças orgânicas. O enfarte do miocárdio é uma das situações que mais está estudada em relação a esta ligação entre doenças psiquiátricas e doenças orgânicas.

Em síntese, é muito importante, tomar-se conhecimento de que as doenças orgânicas se acompanham com bastante frequência de estados depressivos que necessitam não só de serem diagnosticados, mas sobretudo de serem tratados. E isto é importante porque o seu não tratamento pode influenciar quer o curso da doença orgânica quer todo o processo de reabilitação.

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