A importância de conhecer as causas, sintomas e tratamento da depressão

Falamos de uma das patologias psiquiátricas mais comuns e com maior impacto na população mundial. Descubra tudo o que deve saber sobre os sintomas, causas e tratamentos da depressão. Um artigo da autoria do Prof. Dr. João Bessa.

A depressão é uma das patologias psiquiátricas mais comuns e com maior impacto funcional, social, familiar e laboral na população mundial. No atual contexto pandémico pelo vírus SARS-COV2, que se apresenta como um desafio singular para a saúde mental e bem-estar psíquico, o aumento da incidência de depressão associada ao isolamento social, solidão e medo do contágio vem reforçar a necessidade de compreender as características desta doença, as suas causas, sintomas e diferentes formas de tratamento.

Para a compreensão das possíveis causas desta doença é essencial reconhecer que para além dos fatores de vulnerabilidade individual relacionados com a personalidade, o contexto social, familiar e cultural, conhecemos hoje de forma detalhada as alterações genéticas, bioquímicas, eletrofisiológicas e neuroimagiológicas no sistema nervoso que são específicas da depressão. Sendo a exposição prolongada ao stress um dos fatores etiológicos mais importantes, as alterações que induz na neurotransmissão em circuitos cerebrais específicos são o alvo preferencial das intervenções psicoterapêuticas e psicofarmacológicas essenciais no seu tratamento.

Relativamente aos sintomas, a depressão é uma patologia psiquiátrica heterógena, com uma expressão clínica multidimensional que atinge o estado de humor, o pensamento, o comportamento e os ritmos circadianos e alimentares. Num estado de humor depressivo, os sentimentos pervasivos de tristeza, desânimo e desalento tornam-se constantes ao longo do tempo, modificando a vivência psíquica e alterando de forma significativa o conteúdo dos pensamentos e a própria vivência do corpo. Uma alteração qualitativa essencial do pensamento passa pelo desenvolvimento de ideação suicida que confere um risco significativo de mortalidade a esta patologia.

Apesar do elevado impacto funcional associado ao desenvolvimento de um quadro depressivo, temos hoje formas de tratamento muito eficazes para aliviar o sofrimento pessoal e incapacidade associada a esta doença. Desde logo, as estratégias psicoterapêuticas, com diferentes formas de intervenção, permitem a identificação de fatores psicológicos essenciais e o desenvolvimento de estratégias adaptativas funcionais.

Tendo por base as alterações neurobiológicas na depressão, os fármacos antidepressivos são ferramentas psicofarmacológicas essenciais para reverter as alterações morfológicas e bioquímicas cerebrais com elevada eficácia clínica.

A combinação destas estratégias terapêuticas no contexto de um acompanhamento médico, psicológico e com o devido suporte social e familiar, permitem uma recuperação do bem-estar psíquico e físico nesta patologia.

Torna-se assim crucial sensibilizar a sociedade para a relevância da depressão, para a importância das alterações psíquicas associadas e para o reconhecimento do seu impacto funcional de forma a garantir a sua correta referenciação para cuidados de saúde e combater o estigma associado ao seu desenvolvimento.

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