Gonçalo Cordeiro Ferreira escreveu, em 2003, quando era presidente da Sociedade Portuguesa de Pediatria
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Gonçalo Cordeiro Ferreira

"Nunca houve tantos pediatras. No interior é que é uma desgraça"

Para o diretor da área pediátrica do Dona Estefânia não há falta de pediatras em Portugal. Os profissionais estão é mal distribuídos e passam demasiado tempo a fazer urgências, quando deveriam dar mais atenção à atividade programada, aos seus doentes.

Gonçalo Cordeiro Ferreira já pensa na reforma. O médico de 63 anos vem de uma extensa linhagem de pediatras e comemora, neste ano, três décadas de carreira. É diretor da Área de Pediatria Médica no Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, médico no Hospital Dona Estefânia e presidente da Comissão Nacional da Saúde Materna, da Criança e do Adolescente. No currículo acumula vários cargos públicos, apesar das reticências em expor-se. Nos próximos tempos não quer dar mais entrevistas para não impor a sua presença ou opinião, diz numa das salas do hospital, onde trabalhou quase toda a vida. Mas antes aceitou falar sobre as urgências sobrelotadas, os recursos humanos e o futuro da pediatria.

"As urgências são um enorme consumidor de recursos" e "não estão a servir para aquilo que foram feitas", lamenta o pediatra, que defende que nas urgências hospitalares só deveriam estar os casos mais graves. Todos os outros, na sua ótica, seriam atendidos nos centros de saúde ou em casa, vigiados pelo telefone. Desta forma, os médicos não despenderiam tantas horas com a urgência e passavam mais tempo a acompanhar os seus pacientes. Para Gonçalo Cordeiro Ferreira, os problemas da saúde "não se resolvem injetando pessoas, nem aumentando a oferta. Resolvem-se restringindo a procura e redistribuindo-a".

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