Seguir os bons exemplos

Ao abrigo de acordos bilaterais ou no âmbito de missões internacionais da NATO, da ONU, da União Europeia, só neste ano as forças armadas portuguesas enviaram perto de 2 mil militares para lá das nossas fronteiras em duas dezenas de missões, muitas delas para zonas de alto risco, como é o caso no norte de Moçambique, tomado por radicais islâmicos, ou da República Centro-Africana, uma das zonas mais perigosas e instáveis do globo. Como já foi o caso do Afeganistão ou do Kosovo ou do Mali ou da Somália, entre muitos outros destinos onde as nossas tropas já ajudaram a salvar milhares de vidas, a acabar com regimes opressores, a resolver conflitos graves, a aplacar atos de extrema violência, a pôr fim a ondas de terrorismo, a ensinar tropas locais a agir contra movimentos radicais, a garantir a prevalência dos Direitos Humanos onde quer que eles estejam sob ataque.

Elogiadas além-fronteiras pela coragem e pela qualidade com que desempenham missões por todo o mundo, as nossas forças armadas - aliás, como as nossas polícias em geral - são um exemplo reconhecido. Exceto, demasiadas vezes, no seu próprio país, pelos seus, aqueles por quem lutam, se não em resposta a ameaças diretas - de que a maior parte da Europa tem tido a sorte de ter estado livre há décadas -, ajudando a enfrentar conflitos que, deixados correr livremente, arriscariam pôr em causa a nossa identidade europeia, a nossa forma de vida, a nossa liberdade.

É isto que as nossas forças armadas fazem todos os dias: proteger Portugal. Não o reconhecer ou pretender colar à pele de toda uma classe com este valor e importância os erros de uma dúzia de pessoas, usar os raros exemplos de más práticas pontuais para justificar uma certa ideologia que, por se dizer pacifista ou por não concordar com a representação portuguesa nas grandes forças de segurança e defesa internacionais, pretende acabar com as forças armadas é não só desonesto como perigoso.

É porém o que tem acontecido com alguma regularidade com as nossas polícias, postas em causa sempre que a ação de um agente - independentemente de estar em risco - acaba em tragédia civil. Atacadas sempre que um ato policial implica o uso de força. Acusadas em bloco sempre que um dos seus elementos se excede. E por vezes mesmo conseguindo-se, como sucedeu com o Serviço de Estrangeiro e Fronteiras, usar um caso isolado para desmantelar uma força importantíssima para a nossa segurança interna.

É de extrema importância, portanto, que o despacho de instrução sobre a Operação Miríade separe logo as águas deixando bem claro que "não se vislumbra um quadro de conspurcação das forças militares portuguesas". Melhor dito, os casos de tráfico terão resultado do ato de alguns homens e não só não contaminam as estruturas nas quais estavam inseridos como estas lançaram de imediato o alerta e desencadearam os devidos processos de forma que os atos sob suspeita pudessem ser investigados e tratados pelas devidas instâncias.

Comportamento exemplar, portanto. Em que a sociedade civil devia pôr os olhos.

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